INFORME JB

Por Jornal do Brasil

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Sem imunidade parlamentar, depois de 24 anos, Flávio Bolsonaro terá vários processos pela frente

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Por GILBERTO MENEZES CÔRTES
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Publicado em 26/10/2026 às 17:17

Alterado em 26/10/2026 às 17:32

Flávio Bolsonaro é amparado após passar mal em debate (arquivo) Foto: reprodução de vídeo

Bem que o presidente Lula o advertiu no debate da Globo: ao perder a eleição (e a imunidade parlamentar – seu mandato de senador termina em 31 de janeiro de 2027), Flávio Bolsonaro teria pela frente vários processos que ficaram em suspenso desde a primeira eleição a deputado estadual do Rio de Janeiro, em 2002.

Deputado estadual na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro até 2018, quando se elegeu senador pelo PSL-RJ, na esteira da eleição de seu pai, Jair Bolsonaro, o inquérito pela prática de "rachadinhas" de parte do salário dos apaniguados em seu gabinete na Alerj, movido pelo Ministério Público do RJ, foi interrompido no final de 2018.

Passou da 1ª Instância, onde as provas de saques e depósitos estavam registradas, à alçada do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Mas o presidente Jair Bolsonaro moveu céus e terras para paralisar as investigações, no TJ-RJ.

A reunião ministerial da 'baciada'

Tudo foi suspenso de vez e devidamente gravado na fatídica reunião ministerial de 22 de abril de 2020, quando se esperava que o governo discutisse a epidemia da covid, com a posse do segundo ministro da Saúde, Nelson Teich, mas além de o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sugerir abrir a porteira para medidas de agressão à natureza e às terras indígenas passarem de "baciada", e o presidente ameaçar a troca da Polícia Federal e "até a troca do ministro" para não ferrar a família".

Jair Bolsonaro melou o jogo e o ministro da Justiça e Segurança, Sérgio Moro, se demitiu atirando no dia seguinte. ´

É bom recordar que na mesma reunião, o ministro da Economia, Paulo Guedes, em palavras grosseiras, como o presidente já tinha estabelecido o padrão de linguagem, defendeu as "bets" e a jogatina em cassinos na orla marítima, dizendo "deixa a classe média se ferrar".

Inquéritos na agulha

Tudo isso pode vir à tona, mas há pelo menos dois ou três inquéritos latentes no âmbito de Daniel Vorcaro, e uns quatro ou cinco na órbita do amigo/sócio, o advogado Willer Tomaz.

Sem falar de retomada das investigações no assassinato de Marielle Franco.

Grosseria de pai para filho

Um dos termos menos chulos – "sacanagem" - que o presidente Jair Bolsonaro usou na reunião de 22 de abril de 2020, foi repetido pelo filho 01, o presidenciável Flávio Bolsonaro, quando encerrou o chororô da derrota, não reconhecida, e anunciou recurso ao Tribunal Superior Eleitoral.

Nikolas dá uma dentro

Apontado como a “Carla Zambelli de 2026”, por suas manifestações de desdém ao povo nordestino ter despertado reações tão negativas, em todos os recantos por onde se espalharam nordestinos, quanto aquelas à investida da então deputada contra um homem negro em São Paulo, na véspera da eleição de 2022, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), enfim, teve um surto de realismo ao dizer que a chance de anular a eleição “é praticamente nula”.

O fracasso das pesquisas eleitorais

Dez institutos de pesquisa cravaram a vitória de Flávio Bolsonaro. No sábado, apenas o Vox Brasil apontava tendência de alta de Lula.

Por isso, fiquei frustrado quando a diretora do Datafolha, Luciana Chong, deu entrevista à “Globonews”, no sábado à tarde, depois de encerrada a pesquisa com duas rodadas (uma sexta e outra até meio-dia de sábado), e ninguém perguntou se houve mudança de tendência após o debate da Globo, no qual Flávio debochou de Lula, chamando a atenção para os seus “nove dedos” nas mãos.

Levou carão de Lula e dos eleitores (o que houve de eleitor comparecendo às urnas de muleta ou cadeiras de rodas, foi inédito). Netos levaram os avós praticamente no colo. Isso reduziu a abstenção ao menor nível, e gerou a virada de Lula.

A gangorra pós-eleição

Antes da eleição, além de “lotear” o Ministério, com a possível entrega de pasta econômica a Daniela Marques, a da Justiça a Deltan Dallagnol e o Ministério da Prosperidade a Pablo Marçal, aliados de Flávio Bolsonaro já davam como favas contadas o “impeachment” de Alexandre de Moraes, o indulto a Jair Bolsonaro e aos golpistas, e a nomeação de dois ministros para o STF (com a saída de Moraes), e lançavam pontes para dividir o poder com o Centrão.

Após a derrota, está claro que Jair Bolsonaro continua preso.

Que Lula indicará um ministro ao STF. E mais dois até 2030.

Que a correlação de forças na Câmara e no Senado mudará, pois os partidos do Centrão precisam do Poder e o Poder é de Luiz Inácio Lula da Silva.

E que há dúvidas se, depois de não reconhecer a derrota e apelar ao TSE, Flávio Bolsonaro, sem mandato, tem condições de liderar a oposição.

A força do PL diminuiu.

À la Zózimo

E a estreia de “Dark horse”, hein?

Pelo jeito, ficou para 29 de janeiro, de 2028...

O cavalo era paraguaio e mancou no apronto.

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