Promessa de Vorcaro a Flavio Bolsonaro 'para o filme' era de 24 milhões de dólares, não os US$ 12 milhões que foram entregues, diz delator
Repasse total não foi efetuado por causa da prisão do ex-banqueiro; delator revela uso de empresa nas Bahamas; delação foi homologada pelo ministro André Mendonça
O empresário Antonio Carlos Freixo Jr., conhecido como Mineiro, dono da Entre Investimentos, financeira responsável pela intermediação de repasses do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para "financiar o filme sobre Jair Bolsonaro", disse em sua delação premiada que o total que seria entregue à família Bolsonaro, através do fundo Havengate, comandado pelo advogado de Eduardo Bolsonaro no Texas (EUA), era 24 milhões de dólares, e não apenas os 12 milhões de dólares que foram efetivados. Garantiu o delator que o total prometido não foi efetivamente repassado porque Vorcaro foi preso. Mineiro firmou ainda que pagava faturas no exterior para Vorcaro usando empresa em paraíso fiscal, mas não detalhou beneficiários.
Como funcionavam os repasses ao Havengate
O delator relatou que Vorcaro entrou em contato com ele por WhatsApp no fim de 2024 e no início de 2025 para solicitar o envio de valores ao exterior. A operação, segundo ele, foi estruturada por meio da Entre Investimentos, com formalização posterior em uma carta de compromisso assinada em janeiro de 2025.
Freixo também disse que, antes de cada nova subscrição prevista no acordo, recebia novo contato de Vorcaro para efetuar os pagamentos. Os documentos e e-mails entregues às autoridades teriam sido trocados com Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e responsável pelo fundo Havengate.
Investigação mira destino final do dinheiro
A Polícia Federal apura se os recursos enviados ao fundo foram usados integralmente no filme, como sustentam Flávio Bolsonaro e a produtora Go Up, ou se parte do dinheiro teve outro destino. Uma das hipóteses investigadas é a de que valores também tenham sido direcionados para bancar Eduardo Bolsonaro nos EUA.
O pagamento de setembro, de US$ 1,666 milhão, também contrariaria a versão de Flávio Bolsonaro de que o último repasse de Vorcaro teria ocorrido em maio de 2025. A defesa do delator e a assessoria de Flávio foram procuradas, mas não detalharam novas informações sobre o caso.
Pagamentos nas Bahamas entram no radar
No mesmo acordo, Freixo afirmou ainda que fez outros pagamentos no exterior por meio da empresa Entre Investiments and Arbitrage Ltd., sediada em Nassau, nas Bahamas. Ele disse que recebia invoices enviadas por Vorcaro, mas não informou quem eram os beneficiários dessas faturas.
A apuração também mira a possibilidade de que recursos mantidos em paraísos fiscais tenham sido enviados ao fundo Havengate ou a pessoas ligadas a ele. Enquanto isso, a produtora Go Up afirma que uma auditoria particular concluiu que as contas de Dark Horse estão regulares, embora os documentos completos não tenham sido tornados públicos.
Havengate, em tradução livre, é "portão do refúgio". Não por acaso, o Eduardo Bolsonaro está refugiado no Texas, mesma sede do fundo.