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Fachin manda Mendonça abrir sigilo do caso Master, mas os repasses de dinheiro para Flavio Bolsonaro continuam sob segredo
Por INFORME JB
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Publicado em 11/09/2026 às 07:04
Alterado em 11/09/2026 às 08:21
Ministro Fachin precisa explicar por que aceitou manter o caso do filme sobre Bolsonaro embaixo dos panos Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A pedido do presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, o ministro André Mendonça decidiu derrubar parcialmente o sigilo do inquérito que apura fraudes atribuídas a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e a outros processos relacionados às investigações. A divulgação, porém, não alcança toda a apuração. Parte dos documentos continuará protegida para evitar prejuízo às diligências em andamento, como o caso da entrega de dinheiro para Flavio Bolsonaro e o filme Dark Horse.
Fachin havia autorizado a abertura de trechos do caso, mas deixou claro que informações ainda sensíveis deveriam permanecer em segredo. No despacho publicado na noite dessa quinta-feira (10), o presidente também solicitou que os autos fossem encaminhados aos demais integrantes da Corte, movimento que reforça a tentativa de compartilhar o conteúdo do processo com todos os ministros.
Crise entre ministros se amplia
A decisão ocorre em meio a uma disputa interna no STF que ganhou força depois que Mendonça retirou o sigilo de relatórios da Polícia Federal citados em decisões anteriores e que expunham a proximidade entre Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e Vorcaro. A partir daí, houve uma sequência de liminares e reações cruzadas entre integrantes da Corte.
Moraes incluiu Mendonça no inquérito das Fake News, sob a alegação de parcialidade, e Fachin retirou Moraes da relatoria desse processo. Em seguida, Mendonça acusou Moraes de usar um relatório secreto da PF para embasar sua decisão e afastou o diretor-geral da corporação, Andrei Passos. Depois, o ministro Flávio Dino reconduziu o delegado, e Fachin reverteu os atos de Mendonça e de Dino.
Plenário deve analisar o caso
Com a crise em alta, Fachin marcou para o dia 15 uma sessão plenária em que os ministros deverão deliberar sobre eventuais medidas relacionadas a Moraes. O presidente do STF também conversou com colegas da Corte e com Paulo Gonet para tentar definir o formato do encontro, que inicialmente foi pensado como presencial e aberto ao público, mas enfrenta resistência de parte dos ministros, que defendem uma reunião reservada.
Fachin liberou aos gabinetes a íntegra do processo que trata do caso envolvendo Moraes e busca construir um entendimento mínimo sobre os próximos passos. Em entrevista ao SBT, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou a atuação de Fachin para conter a crise, mas afirmou que ainda é preciso fazer mais para colocar ordem na casa. Lula também defendeu a investigação de Mendonça e Moraes.
O presidente Fachin só precisa explicar por que aceitou manter um caso sensível e importante para o tempo eleitoral, como o repasse de dinheiro do Vorcaro para Flavio Bolsonaro, sob segredo.