INFORME JB

Por Jornal do Brasil

[email protected]

INFORME JB

Flávio Bolsonaro faz discurso político em audiência do USTR nos EUA; cita 'corrupção no governo Lula e no banco Master', mas se 'esquece' de contar de sua relação de 'irmão' com Vorcaro

Senador atacou o governo Lula, defendeu o Pix e pediu que os americanos não imponham tarifas adicionais ao Brasil

Por INFORME JB
[email protected]

Publicado em 07/07/2026 às 19:36

Alterado em 07/07/2026 às 19:36

Flávio Bolsonaro Foto: Folhapress / Mateus Bonomi

O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), participou de uma audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre a investigação de supostas práticas comerciais desleais do Brasil. Segundo relatos de representantes do setor empresarial que acompanharam a reunião, ele usou a fala para fazer críticas ao governo Lula e adotar um tom político.

De acordo com os interlocutores, o senador concentrou sua apresentação em três temas principais: regulação das redes sociais, corrupção no Brasil e defesa do Pix. Ao tratar das redes, teria responsabilizado o STF pela remoção de conteúdos e associado o cenário ao terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Críticas ao governo Lula e defesa do Pix

Na abordagem sobre corrupção, Flávio Bolsonaro voltou a citar o governo Lula e afirmou que, durante os quatro anos da gestão de Jair Bolsonaro, não houve problemas no país, segundo os presentes. Ele mencionou escândalos como Mensalão, Lava Jato, crise do INSS, casos ligados ao filho de Lula e o caso Master.

Ao mesmo tempo, o senador teria omitido sua própria relação com o banqueiro Daniel Vorcaro. Flávio tratou diretamente com o dono do Banco Master o repasse de R$ 134 milhões para financiar um filme biográfico sobre o pai, Jair Bolsonaro. Já sobre o Pix, ele adotou um discurso diferente do usado em carta anterior ao USTR e defendeu o sistema de pagamentos, atribuindo sua criação à administração Bolsonaro.

Pedido contra novas tarifas e contexto da investigação

Flávio Bolsonaro também pediu às autoridades americanas que não apliquem tarifas adicionais sobre produtos importados brasileiros. Segundo os participantes, ele argumentou que a medida prejudicaria as relações entre os dois países e ainda teria efeito político favorável ao presidente Lula.

O aceno eleitoral, de acordo com os relatos, foi feito de forma indireta. O senador teria dito que há chance de o Brasil eleger um presidente que não seja “antiamericano”, o que poderia melhorar o diálogo bilateral. Quando questionado pelas autoridades americanas sobre o alcance das tarifas e o impacto na economia brasileira, ele teria evitado respostas diretas e retomado o discurso político.

O que está em jogo para o Brasil

A audiência integra as etapas finais da investigação conduzida pelo USTR sobre supostas práticas desleais do Brasil. Os Estados Unidos acusam o país de adotar práticas ilegais em comércio digital, serviços de pagamento eletrônico como o Pix, tarifas preferenciais, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais, como desmatamento ilegal.

No relatório preliminar, divulgado em 1º de junho, o USTR sugeriu sobretaxa de 25% sobre produtos importados brasileiros, com exceção de grande parte dos itens agropecuários. A consulta pública reúne entidades do setor produtivo e é vista como uma oportunidade para ampliar a lista de exceções e tentar evitar a nova tarifa. (com informações da Agência Estado)

Deixe seu comentário