INFORME JB
A corrida eleitoral para entrega de obras
Por GILBERTO MENEZES CÔRTES
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Publicado em 02/07/2026 Ã s 16:09
Alterado em 02/07/2026 Ã s 17:42
O governador Tarcísio de Freitas correndo contra o tempo: a passos de cágado Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Anda supercorrida a agenda dos candidatos à reeleição (nos estados) para inaugurar obras que cacifem as candidaturas para os governos estaduais, a disputa presidencial ou os postulantes a deputado federal e estadual e a uma vaga no Senado.
A Justiça Eleitoral definiu que o último prazo para que os atuais incumbentes possam posar nas fotos com inauguração de obras – de estradas a hospitais, passando por escolas, adutoras ou linhas de trem e metrô – termina neste sábado, 4 de julho. O primeiro turno é em 4 de outubro.
Tarcísio pega carona no Metrô
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), que tinha se preparado para disputar a Presidência com Lula, mas foi atropelado pelo ex-presidente e ex-chefe, Jair Bolsonaro, ao indicar o filho 01, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), terá uma agenda corrida nesta quinta-feira, quando pretende passar uma imagem de grande tocador de obras, visando 2030.
Seu trunfo será a entrega, nessa sexta (3), de um trecho de seis estações da linha 6 – Laranja, do metrô de SP. Como as obras continuam, as seis primeiras estações funcionarão em horário reduzido (das 10h às 15h, só nos dias úteis). Um amigo engenheiro que trabalha nas obras me confessou, sábado, que estava "uma correria danada".
São elas, a João Paulo I, Freguesia do Ó, Santa Marina, Água Branca — onde fará conexão com a Linha 7-Rubi —, Sesc-Pompeia e Perdizes.
O contraste
Tarcísio quer usar o palanque para confrontar sua operosidade com a do ex-governador Geraldo Alkimin, vice-presidente de Lula. É que as obras foram anunciadas em 2018, no governo Alckmin, e estão sendo entregues oito anos depois. Alckmin apoia o adversário, o ex-ministro da Fazenda e ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.
Descarrilhamento
Só que as obras ficaram atrasadas por um descarrilhamento prematuro das empreiteiras que participavam no Consórcio Nacional e foram atingidas pela operação Lava-Jato: eram elas a Odebrecht, a Queiroz Galvão e a UTC.
Inabilitadas para operar na Petrobras, entraram em recuperação judicial (como a maioria das empreiteiras nacionais). Os contratos foram rescindidos e, após longa demanda judicial, foram substituídas no governo de João Dória Jr, em 2020, pela espanhola Acciona.
Para que tivesse algo a inaugurar dentro do prazo legal, o governo Tarcísio de Freitas abriu os cofres, pagando mais R$ 3,7 bilhões à empreiteira espanhola.
Três exemplos de lerdeza
Tarcísio de Freitas, nomeado uma espécie de “interventor” no DNIT no governo Dilma, e que depois virou ministro da Infraestrutura de Bolsonaro (2019-2022), não teve a mesma operosidade para resolver três grandes imbróglios que se arrastam em obras de estradas no Grande Rio.
Na semana passada, o presidente Lula inaugurou o trecho de subida da duplicação, com quatro pistas da via Dutra, na Serra das Araras, entre os municípios de Paracambi e Piraí, Estado do Rio. A segunda pista deve ser entregue em agosto. A obra é uma demanda de mais de três décadas.
Impasse na Serra
Mas o que dizer da duplicação da Serra de Petrópolis, contratada quando Tarcísio mandava no DNIT, interrompida em 2017? Não conseguiu desfazer o impasse com a antiga empreiteira em quatro anos como ministro.
E, se fosse pouco, as obras que visavam aumentar o fluxo em 50% nos dois sentidos da Niterói-Manilha (Br-101), com a criação de uma terceira faixa e um trevo na altura de Itaboraí, não andaram desde 2020, quando era ministro.
Resultado: cariocas e brasileiros que se destinam à Região dos Lagos no litoral fluminense penam em intermináveis engarrafamentos na ida e na volta.
Quem desentope a Manilha?
O governo Lula destravou as obras na Serra. As estruturas quase foram comprometidas pela inércia e serão retomadas plenamente em outubro. Em Manilha, o impasse continua.
A força dos velhinhos
A cena foi registrada e ouvida na terça-feira, 30 de junho, no Palácio do Planalto, na cerimônia em que o presidente Lula lançou o Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/2027.
Ao encontrar o deputado federal e pré-candidato ao Senado pelo PSD do Piauí, Júlio César, o presidente provocou o parlamentar e velho conhecido:
- Tá preparado?
Júlio César respondeu de imediato:
- Pronto e querendo!
Em seguida, o presidente sorriu e afirmou:
- Pois são três “véim” e um “novim” que vão arrebentar no Piauí.
A referência foi ao grupo político formado pelo próprio Lula, pelo deputado Júlio César, o senador Marcelo Castro (MDB) e o governador Rafael Fonteles (PT), chamado carinhosamente de "novim".
O encontro foi interpretado por aliados como mais um gesto de prestígio e reconhecimento à trajetória de Júlio César, que se consolida como um dos principais nomes do campo governista na disputa por uma vaga no Senado em 2026.
A sintonia entre o presidente da República e o parlamentar reforça a unidade da base aliada e a construção do projeto político liderado por Lula e Rafael Fonteles no Piauí.

'Dois véim': O presidente Lula com o deputado Julio César, que será candidato ao Senado pelo Piauí Foto: Presidência da República
Sobrou para Ciro Nogueira
Quem não deve ter gostado da troca de afagos foi o presidente do PP, o senador Ciro Nogueira. Ele chegou a costear o alambrado, como diria o saudoso governador Leonel Brizola, tentando aliança no estado natal com o PT.
Foi atropelado pelo escândalo das mesadas do Banco Master.
Duas vagas para 14 candidatos
As duas vagas para renovação de mandato no Senado são disputadas no Piauí por 14 candidatos. Os favoritos, por enquanto, são Marcelo Castro e o deputado Júlio César.
Segundo levantamento de junho do Instituto Vetor, o deputado tinha 33% das intenções de voto para o Senado.