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CPI do crime organizado rejeita 'relatório bolsonarista' que virou piada

Relatório causou espanto ao poupar figuras notórias envolvidas com o crime organizado e o sistema financeiro, como o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e políticos como Ciro Nogueira (PP) e Antônio Rueda (União Brasil).

Por INFORME JB com Revista Forum
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Publicado em 15/04/2026 às 09:54

Alterado em 15/04/2026 às 09:54

Senador Alessandro Vieira Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Por Henrique Rodrigues - O que deveria ser o encerramento de uma investigação séria sobre as estruturas do crime organizado no Brasil terminou em derrota política e constrangimento para o senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Por 6 votos a 4, a CPI do Crime Organizado rejeitou, nesta terça-feira (14), o relatório final apresentado por Vieira. O documento, apelidado nos bastidores de Brasília como “relatório bolsonarista”, virou alvo de piadas e críticas severas por sua flagrante seletividade e falta de base jurídica.

A rejeição foi viabilizada por uma manobra de última hora na composição do colegiado. Horas antes da votação, três dos 11 membros titulares foram trocados: os senadores Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES) deram lugar a Beto Faro (PT-PA) e Teresa Leitão (PT-PE). A senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) também assumiu a titularidade. Com a nova configuração, a base governista e parlamentares independentes garantiram a derrubada do texto, que foi classificado como uma peça de propaganda política.

'Alivia geral' e o ataque ao Judiciário
O relatório de Vieira causou espanto ao poupar figuras notórias envolvidas com o crime organizado e o sistema financeiro, como o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e políticos como Ciro Nogueira (PP) e Antônio Rueda (União Brasil). Em contrapartida, o texto pedia o indiciamento dos ministros do STF Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além do Procurador-Geral da República (PGR), Paulo Gonet.

Para juristas e parlamentares da base, a estratégia era clara: alimentar o discurso bolsonarista que busca, desde a condenação de Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado, remover integrantes da Suprema Corte por meio de processos de impeachment no Senado. A tentativa de criminalizar decisões judiciais e a concessão de habeas corpus foi vista como uma “aberração jurídica” sem precedentes.

Gilmar Mendes 'destroça' o relator
A reação mais contundente veio do decano do STF. O ministro Gilmar Mendes não poupou ferocidade ao rebater o documento, classificando-o como uma “cortina de fumaça” destinada a proteger milicianos e interesses escusos. Em uma frase que paralisou os corredores do Congresso, o ministro disparou:

“Causa espécie que o relator tenha se esquecido de indiciar seus colegas de milícia”.

Mendes lembrou que a CPI, criada após o massacre de 120 pessoas nos complexos do Alemão e da Penha, simplesmente ignorou a quebra de sigilo de facções e milicianos do Rio de Janeiro para focar em “espuma midiática” contra o STF.

Ofensiva digital e crime de hermenêutica
Em nota publicada no X (antigo Twitter), o ministro Gilmar Mendes aprofundou as críticas, acusando Alessandro Vieira, que é egresso da carreira policial, de “prevaricação intelectual”. O ministro ressaltou que o pedido de indiciamento feito por uma CPI contra ministros por crimes de responsabilidade é juridicamente inexistente, já que a Lei 1.079/1950 prevê ritos específicos que não passam por relatórios de comissões parlamentares.

O fim melancólico da CPI
O encerramento dos trabalhos foi marcado pelo isolamento de Alessandro Vieira. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ignorou os pedidos de prorrogação da CPI, selando o destino do colegiado. Sem a aprovação do relatório, as “teses bolsonaristas” de Vieira perdem força institucional, e a comissão chega ao fim sob a pecha de ter tentado usar o aparato legislativo para fins panfletários e eleitorais, em vez de enfrentar o grave problema do crime organizado no país.

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