INFORME JB
Apostas no caos ou alÃvio pós-cessar-fogo
Por GILBERTO MENEZES CÔRTES
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Publicado em 08/04/2026 Ã s 16:42
Alterado em 08/04/2026 Ã s 16:42
Estreito de Ormuz é passagem estratégica do Golfo Pérsico Foto: Ansa
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O mundo respirou com alívio após o presidente Donald Trump aceitar a trégua de duas semanas proposta pelo Irã, por meio do Paquistão, um dos mediadores do conflito entre Israel-Estados Unidos e o país dos aiatolás. E o Brasil está se saindo relativamente bem em toda a situação.
A civilização persa não foi aniquilada. Mas, os jornais dos EUA e da Europa se dividem entre apostar no alívio ou na volta ao caos previsto antes do cessar-fogo.
O “New York Times”, principal jornal americano, diz que “Levará meses para que o petróleo e o gás comecem a fluir do Golfo Pérsico”; uma das exigências dos EUA ao Irã era a reabertura imediata do tráfego de navios petroleiros, gaseiros e de fertilizantes pelo Estreito de Ormuz.
Um número limitado de navios, retidos há quatro semanas, começou a transitar, informa o “Wall Street Journal”.
O fator Israel
Mas há um porém, segundo o “Journal”: Israel, parceiro dos EUA na empreitada para derrubar o regime dos aiatolás - que fracassou, apesar da morte de Khamelei e das lideranças iranianas – “só foi informado tardiamente sobre o acordo de cessar-fogo, e não ficou nada satisfeito”.
Para piorar, o “Irã alerta que sua participação nas negociações de sexta-feira em Islamabad depende de um cessar-fogo no Líbano, e que poderá reverter seu compromisso de reabrir o Estreito de Ormuz”. Israel manteve os ataques ao grupo Hezbolah, apoiado pelo Irã, no sul de Beirute, a capital de um país semiarrasado.
Quem fica com Ormuz?
Enquanto os negociadores não sentam à mesa no Paquistão, para decidir que fica com o controle do Estreito de Ormuz (território iraniano), o país, segundo o britânico “Financial Times”, exige o “pagamento de taxas em criptomoedas para navios que passam pelo Mar de Ormuz durante o cessar-fogo”.
O uso de criptomoedas é para evitar confisco dos EUA, como ocorreu com os fundos russos em bancos após a invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022.
As etapas para a normalização
Reabrir o Estreito de Ormuz — um objetivo central dos Estados Unidos quando concordaram com um cessar-fogo com o Irã — seria o primeiro passo para aumentar o fluxo de energia pelo Golfo Pérsico, assinala o “New York Times”.
Mas apenas o primeiro passo, acrescenta.
Isso porque dezenas de refinarias, instalações de armazenamento e campos de petróleo e gás em pelo menos nove países, do Irã aos Emirados Árabes Unidos, passando pelo Catar, Kuwait e Arábia Saudita, foram alvos de ataques, assinalam repórteres do “Times” que avaliam que 10% ou mais do fornecimento mundial de petróleo foi interrompido.
Avaliação dos danos
Reiniciar essas operações exigirá não apenas a passagem segura pelo Estreito de Ormuz, mas também a inspeção de bombas, a substituição de equipamentos de processamento.
Alguns poços podem ser reativados em dias ou semanas, mas trazer o sistema energético do Golfo de volta a algo próximo da normalidade levará meses. Há que ser feita a inspeção de bombas, a substituição de equipamentos de processamento específicos e o retorno de funcionários e navios que se dispersaram pelo mundo.
Sobrou para a Arábia Saudita
O “FT” informa ainda que “o oleoduto Leste-Oeste, crucial da Arábia Saudita, foi atingido em meio à continuidade dos ataques ao setor energético do Oriente Médio”.
O país é o maior produtor-exportador de petróleo da região e pode escoar pelo Mar Vermelho tanto à Europa, via Canal de Suez e Mediterrâneo, quanto aos países asiáticos. Mas, já não tem 100% do que tinha antes da guerra.
Do mesmo modo, o Catar, maior produtor-exportados de gás natural do mundo, teve atingidas várias estruturas de resfriamento de gás em Ras Laffan.
Efeitos colaterais
Numa análise postada nessa terça (7), antes do cessar-fogo, o JP Morgan, maior banco dos Estados Unidos, expressando a perplexidade de Wall Street com a guerra, era pessimista.
“Comida, voos e muito mais: os efeitos colaterais do conflito com o Irã”, dizia o título, complementando que “o conflito gerou impactos significativos muito além dos mercados de energia, criando dificuldades para setores que vão da agricultura à aviação”.
O banco previa que “os preços das passagens aéreas vão começar a disparar”, e alertava que “o fechamento do Estreito de Ormuz interrompeu as cadeias de abastecimento de fertilizantes, o que, por sua vez, pode alimentar a inflação global de alimentos”. [A grande safra do Brasil para 2026-2027 só será plantada em agosto-setembro].
Para piorar, assinala que “o transporte marítimo também foi afetado, e os importadores podem repassar os custos de frete mais altos para os consumidores”.
Cessar-fogo evita o caos?
É a pergunta que fica.
Fogo cruzado na campanha
Enquanto as armas silenciam no Oriente Médio, o fogo cruzado segue firme da campanha eleitoral.
Na janela partidária da troca de partidos, o MDB teve sua principal baixa. Deixou a legenda, após 50 anos de militância, Marcelo Barbieri, ex-presidente nacional do partido.
Filiou-se ao PDT paulista.
Barbieri, ex-prefeito de Araraquara (SP), que lutou pela redemocratização do Brasil, avisou à direção do MDB (que “costeia o alambrado”, como diria Brizola), que não iria subir ao palanque de Bolsonaro e Tarcísio de Freitas.