IMPRENSA

Unesco registra 189 jornalistas assassinados no mundo em 2024 e 2025

Relatório aponta crescimento das mortes, concentração em zonas de conflito e índice de impunidade de 86% neste ano

Por JORNAL DO BRASIL
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Publicado em 02/11/2026 às 12:48

Alterado em 02/11/2026 às 12:50

Funeral dos jornalistas Anas Al Sharif, Mohammed Qreiqeh, Ibrahim Zaher, Mohammed Noufal e de um outro colega, todos da Al Jazeera, mortos em um ataque israelense, na Cidade de Gaza, em 11 de agosto de 2025 (arquivo) Foto: Reuters/Dawoud Abu Alkas

A Unesco divulgou um relatório que registra 189 jornalistas assassinados no mundo em 2024 e 2025. O número é o mais alto desde o biênio 2014/2015 e reforça a escalada da violência contra profissionais da imprensa em diferentes regiões do planeta.

Segundo o levantamento, 127 mortes ocorreram em países em conflito, o equivalente a 67% do total. Houve aumento de 24% em relação ao biênio 2022/2023, e 50 casos foram atribuídos a ataques com drones. Em ao menos 15 situações, os jornalistas teriam sido alvejados mesmo usando coletes com identificação de imprensa ou em veículos claramente marcados.

Mortes fora das zonas de guerra

Mesmo fora de áreas de conflito, 62 jornalistas foram assassinados no biênio, o menor número em 18 anos, mas ainda alarmante. Desses casos, 17 aconteceram em escritórios, 33 em veículos e 20 nas próprias casas, incluindo episódios em que familiares também foram mortos. Quatro vítimas morreram em ataques terroristas e sete foram assassinadas durante manifestações.

O relatório aponta ainda que 104 mortes ocorreram enquanto jornalistas cobriam conflitos armados. Outras vítimas atuavam em reportagens sobre política, atividades criminosas e corrupção. Para a Unesco, isso mostra que apurar determinados temas pode ser tão perigoso quanto atuar em uma zona de guerra.

Palestina lidera e Brasil registra um caso

A Palestina foi o local com mais mortes de jornalistas no período, somando 62 casos, cerca de um terço do total. No Brasil, o levantamento registrou uma morte: a de Luís Augusto Carneiro da Costa, o Luisinho Costa, assassinado no estúdio da Rádio Guarany, em Abaetetuba, no Pará, em maio de 2025. Segundo a Polícia Civil, o inquérito foi concluído e remetido à Justiça, com quatro indiciados.

A Unesco também informou que, dos 78 países consultados sobre violência contra jornalistas, 38 enviaram respostas com medidas de proteção. O Brasil relatou ter adotado o Protocolo Nacional para a Investigação de Crimes contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, lançado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, e incluído no repositório de mecanismos nacionais de segurança da organização.

Impunidade segue alta no mundo

Desde 2006, a Unesco contabiliza 1.641 jornalistas assassinados em todo o mundo, mas apenas 223 casos foram solucionados pelo sistema judiciário, o que representa 14% do total. A maioria segue sem resposta ou sem desfecho, e o nível de impunidade alcançou 86% neste ano, o primeiro aumento desde 2012.

O relatório também destaca que os profissionais da imprensa estão sujeitos a outras formas de violência, como sequestros, desaparecimentos forçados, detenções arbitrárias, ataques online baseados em gênero e restrições de circulação. Para a entidade, proteger jornalistas e combater a impunidade é essencial para garantir a liberdade de expressão e o direito do público à informação.(com informações da Agência Brasil)

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