IMPRENSA

Sônia Carneiro, a mais intrépida repórter política do radiojornalismo brasileiro, morre aos 74 anos

,,,

Por GILBERTO MENEZES CÔRTES
[email protected]

Publicado em 21/09/2026 às 07:07

Alterado em 21/09/2026 às 08:20

Sônia Carneiro morreu dormindo Foto: reprodução do instagram

O jornalismo político brasileiro perdeu neste domingo (20), em Brasília, aos 74 anos, a jornalista Sônia Carneiro. Durante os 32 anos em que fazia a mais importante cobertura política do Palácio do Planalto e do Congresso para a Rádio Jornal do Brasil-AM, onde ingressou em 1971, Soninha era a principal responsável pela audiência do noticiário matinal e da edição de meio-dia e meia, com furos sempre precisos.

Foi dela, por exemplo, a insistente pergunta que levou o então presidente João Figueiredo a responder publicamente, em 1984, que não haveria prévias no PDS em meio às articulações para a sucessão presidencial. A recusa do general Figueiredo, o último ditador do regime militar, em fazer a prévia reivindicada pelo ex-ministro Mário Andreazza, que concorria contra o ex-deputado Paulo Maluf na indicação do candidato do PDS, rachou o partido oficial.

Os dissidentes que não queriam Maluf, entre eles o próprio presidente do PDS, José Sarney, e Antônio Carlos Magalhães e o deputado Marco Maciel (PDS-PE), criaram o Partido da Frente Liberal (PFL) e, aliado ao MDB e outros partidos, elegeram, de forma indireta, em 15 de janeiro de 1985, Tancredo Neves, com 480 votos contra 180 para Paulo Maluf no Colégio Eleitoral.

O saudoso e sempre irreverente jornalista Jorge Bastos Moreno, de "O Globo", chegou a descrever Sônia Carneiro como "intrépida", comparando-a aos incansáveis repórteres esportivos do rádio, e lembrou que, com destemor e irreverência, Soninha arrancava declarações que poderiam repercutir nas próprias decisões políticas.

A proximidade conquistada com as fontes também lhe rendeu uma alcunha curiosa: Tancredo Neves costumava chamá-la de "sobrinha", embora não houvesse parentesco entre os dois.

Repórter da "Rádio Jornal do Brasil-AM" e do JORNAL DO BRASIL até 2003, ela esteve no Congresso durante os trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte, e acompanhou o processo que resultou na Constituição de 1988. Em 1992, Sônia recebeu o Prêmio Imprensa Estrangeira, concedido pela Associação dos Correspondentes de Imprensa Estrangeira no Brasil (ACIE), em reconhecimento à atuação profissional.

Gerente de jornalismo da Rádio JB-AM, de agosto de 1992 a fevereiro de 1993, chefiei a grande repórter, que revi ano passado em encontro de ex-colegas da JB-AM, organizado pela jornalista Yacy Nunes. Deixei a JB por não concordar com a extinção da AM, e adverti à família Nascimento Brito de que a saída do ar da rádio e, consequentemente, dos furos da Soninha, afetaria a Agência JB.

Por último, Sônia, que deixou os filhos Terence e Daniel Zveiter, integrou a assessoria do senador Jaques Wagner. Segundo Terence, Sônia morreu dormindo, em casa, após um mal súbito.

Deixe seu comentário