CARNAVAL
Portela vai de Bará, Mangueira, de Sacacá; conheça os enredos das escolas do Grupo Especial do Rio em 2026
Por JB FOLIÃO
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Publicado em 06/01/2026 às 09:05
Alterado em 06/01/2026 às 09:05
O carro dos baluartes da Portela no Carnaval 2023 Fernando Frazão/Agência Brasil
Por Gilberto Costa - Oito dos 12 enredos das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro em 2026 serão biográficos e contarão a história de personalidades de diversas expressões artísticas e da política, exaltando o papel dessas figuras públicas na criação de novos padrões estéticos, na reverência à cultura negra e na denúncia a preconceitos.
Na passarela dos homenageados, estarão o compositor e pintor Heitor dos Prazeres (Vila Isabel), o cantor Ney Matogrosso (Imperatriz Leopoldinense), a cantora e compositora Rita Lee (Mocidade Independente de Padre Miguel), a escritora Carolina Maria de Jesus (Unidos da Tijuca), e o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (Acadêmicos de Niterói).
A carnavalesca Rosa Magalhães (Acadêmicos do Salgueiro) e o mestre de bateria Moacyr da Silva Pinto, o Mestre Ciça (Acadêmicos do Viradouro), estão entre os ilustres do mundo do samba que serão temas de enredos, que também exaltarão a cultura negra contando a história do curandeiro amapaense Raimundo dos Santos Souza, o Mestre Sacaca (Estação Primeira de Mangueira), e do líder religioso Custódio Joaquim de Almeida, o Príncipe Custódio do Bará (Portela).
O panteão das figuras negras reforça o conjunto de desfiles que resgatam a história e a cultura de origem africana, como propõe o enredo Lonã Ifá Lukumi (Paraíso do Tuiuti), sobre a religião afro-cubana Santeria; e o enredo Bembé do Mercado (Beija-Flor de Nilópolis), a respeito de manifestação religiosa no Recôncavo Baiano.
Outra escola da Baixada Fluminense, a Grande Rio, presta homenagens ao movimento musical de contracultura Manguebeat, surgido na década de 1990 em Recife (PE).
Os enredos
1º dia domingo (15/2)
- Acadêmicos de Niterói - Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil;
- Imperatriz Leopoldinense - Camaleônico;
- Portela - O Mistério do Príncipe do Bará;
- Estação Primeira de Mangueira - Mestre Sacacá do Encanto Tucuju o Guardião da Amazônia Negra
2º dia - segunda-feira (16/2)
- Mocidade Independente de Padre Miguel - Rita Lee, a Padroeira da Liberdade;
- BeijaFlor de Nilópolis - Bembé do Mercado;
- Acadêmicos do Viradouro - Pra Cima, Ciça;
- Unidos da Tijuca - Carolina Maria de Jesus.
3º dia - terça-feira (17/2)
- Paraíso do Tuiuti - Lonã Ifá Lukumi;
- Unidos de Vila Isabel - Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África;
- Acadêmicos do Grande Rio - A Nação do Mangue;
- Acadêmicos do Salgueiro - A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau.
Memória e pedagogia
Para o sociólogo Rodrigo Reduzino, essa expertise de refletir sobre a realidade e trazer o que a oficialidade não fala foi o que originou as escolas de samba, com enunciado político, desde 1928, diz se referindo ao ano da criação da primeira escola de samba, a Deixa Falar, no bairro do Estácio (zona norte do Rio).
Ao laurear figuras com trajetórias disruptivas, resgatar pessoas ignoradas e recontar acontecimentos esquecidos, os enredos das escolas de samba cumprem funções pedagógicas e memorias como prescritas nos versos do samba História para ninar gente grande, do desfile campeão da Mangueira em 2019: Brasil, meu nego / deixa eu te contar / a história que a história não conta / o avesso do mesmo lugar / na luta é que a gente se encontra.
Reduzino escreve neste momento tese de doutorado sobre os enredos da liberdade, pesquisa que deu origem à série homônima na plataforma Globoplay. Segundo ele, ainda na década de 1930, cerca de 45 anos após a Abolição da Escravatura (1888), as escolas de samba já tratavam de questões raciais em seus enredos.