DIREITOS HUMANOS

Letalidade policial atinge principalmente jovens negros

Estudo da Rede de Observatórios da Segurança mostra aumento das mortes por intervenção policial em 2025 e expõe desigualdade racial nos nove estados monitorados

Por JORNAL DO BRASIL
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Publicado em 01/07/2026 às 08:32

Alterado em 01/07/2026 às 08:32

Protesto nas ruas contra letalidade policial: 'Parem de nos matar' (arquivo) Agência Brasil

Em 2025, a letalidade policial aumentou 6,4% nos nove estados monitorados pela Rede de Observatórios da Segurança. No total, foram 4.330 mortes, e 86,3% das vítimas com informação de raça ou cor eram negras, o que reforça a concentração da violência sobre a população negra, especialmente jovens de periferias e favelas.

Segundo o estudo Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã, os dados não indicam casos isolados, mas um padrão persistente de atuação das forças estatais, informa Julia Motta, da Revista Fórum. A pesquisa aponta que, ano após ano, a juventude negra continua sendo a principal vítima da violência policial no país.

Jovens, crianças e adolescentes estão entre as vítimas

O recorte etário também chama atenção. Jovens de até 29 anos representam 64,8% dos mortos, e 312 vítimas tinham até 17 anos. Para os pesquisadores, esses números revelam infâncias e juventudes interrompidas em meio a uma política de segurança que, apesar do discurso de eficiência, segue baseada na ampliação do aparato policial e na lógica do confronto.

A diretora da Rede de Observatórios da Segurança, Silvia Ramos, afirma que o padrão se repete há sete edições do estudo, somando 28.799 mortes. Para ela, isso mostra a ausência de uma política pública efetiva capaz de proteger a vida da juventude negra nas periferias brasileiras.

Dados incompletos escondem o impacto racial

O relatório também critica a qualidade das informações enviadas pelas secretarias de segurança pública. Em estados como Maranhão e Ceará, a categoria “não informado” é usada em parte relevante dos registros, o que, segundo os pesquisadores, esconde o recorte racial da letalidade estatal.

Quando o perfil racial das vítimas é informado corretamente, a proporção de negros mortos aumenta de forma significativa: 22 pontos percentuais no Maranhão e 8 pontos no Ceará. O estudo classifica essa omissão como um obstáculo à transparência e ao enfrentamento do racismo estrutural.

Estados registram recordes e cenário se agrava

A pesquisa aponta ainda que a expansão e articulação de facções como Comando Vermelho e PCC em direção ao Norte e Nordeste têm sido acompanhadas por respostas governamentais centradas na militarização. Nesse contexto, quatro estados bateram recordes históricos de mortes desde 2019: Ceará, Maranhão, Pará e São Paulo.

Entre os destaques, o Amazonas teve 96% de vítimas negras; a Bahia registrou mortes em 346 dos 365 dias de 2025; o Pará chegou a 632 mortes; e São Paulo voltou a bater recorde, com 834 mortes. No Rio de Janeiro, foram 800 mortes, incluindo duas crianças entre 0 e 11 anos, enquanto Pernambuco registrou alta de 30,9% na letalidade policial e o Piauí apresentou queda após protocolos antirracistas, embora ainda haja alerta para mortes classificadas como indeterminadas.

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