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Flavio Bolsonaro teve festas com garotas de programa em lancha, durante a pandemia, diz revista

O então filho do presidente compareceu ao convescote a convite de empresários que queriam vender vacina para o governo. Um dos parlamentares deu de presente um Rolex ao senador

Por JORNAL DO BRASIL
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Publicado em 22/10/2026 às 10:27

Alterado em 22/10/2026 às 10:28

Se as águas do Lago Paranoá falassem... Foto: reprodução

Os empresários Danilo Trento e Francisco Maximiano embarcaram em um jatinho de São Paulo para Brasília, no dia 16 de julho de 2020, com a missão de alavancar interesses ligados à Precisa Medicamentos e à vacina Covaxin. A viagem ocorreu em plena pandemia, quando o Brasil ainda acumulava milhares de mortes por Covid-19 e o governo federal enfrentava críticas pela lentidão nas negociações com laboratórios internacionais. A notícia - intitulada 'Uma tarde no Lago', foi publicada nesta quinta-feira (22), no site da revista Piauí, pelos jornalistas João Batista Jr., Ana Clara Costa e Breno Pires.

Ao chegarem à capital, os empresários seguiram para um hotel no centro da cidade, acompanhados do agente de viagens Raphael Barão e de três garotas de programa. A movimentação faz parte de um contexto mais amplo de aproximação com personagens influentes em Brasília, onde contatos pessoais e redes de favorecimento eram vistos como ativos valiosos para negócios com o poder público.

O passeio de lancha no Lago Paranoá

No dia seguinte, a programação incluiu um churrasco em uma lancha no Lago Paranoá, com bebidas, comida e a presença de Flávio Bolsonaro, além de Alexandre Santini. A embarcação circulou pelo lago sob o temor de ser flagrada, e o encontro terminou com o senador recebendo um relógio Rolex de presente, gesto atribuído a Danilo Trento.

O episódio ganhou relevância porque ocorreu em meio às tentativas da Precisa de ampliar seu espaço junto ao governo Bolsonaro. A reportagem também aponta que, na dinâmica desses encontros privados, o uso de celulares era vetado, bolsas eram recolhidas e a presença de mulheres era comum, reforçando a lógica de sigilo e influência que cercava esse tipo de reunião em Brasília.

Covaxin, CPI e os bastidores políticos

Meses depois, as suspeitas sobre a negociação da Covaxin chegaram à CPI da Pandemia. A comissão investigou o papel de empresários, intermediários e aliados políticos na tentativa de fechar contratos com o Ministério da Saúde, além de apurar a relação entre o entorno de Flávio Bolsonaro e a Precisa Medicamentos.

O contrato da vacina previa preço superior ao de ofertas feitas por outras farmacêuticas, o que aumentou as desconfianças. As denúncias mobilizaram servidores do Ministério da Saúde e resultaram em um relatório final com pedidos de indiciamento, entre eles o de Flávio Bolsonaro, Danilo Trento e Francisco Maximiano.

Influência, negócios e novas conexões

A reportagem mostra ainda que a proximidade com Flávio Bolsonaro teria aberto portas para encontros com autoridades, como uma reunião com o presidente do BNDES para discutir financiamento a um novo negócio de Maximiano no setor de telecomunicações. Embora o banco afirmasse que nenhuma operação foi concluída, a agenda reforçou a impressão de acesso privilegiado ao governo.

O texto também recupera outras viagens e episódios que ligam o senador ao universo de empresários e operadores de Brasília, incluindo agendas em Las Vegas e novas menções ao entorno de cassinos, bets e encontros reservados. No conjunto, a apuração retrata um ambiente em que negócios, política e eventos privados se misturam de forma recorrente. (com informações da revista Piauí)

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