Padre Júlio Lancellotti comenta polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida
Sacerdote afirma que a controvérsia tem origem em um projeto antigo e pode voltar à pauta política
Padre Júlio Lancellotti afirmou, em entrevista à agência Ansa, que a controvérsia sobre uma suposta articulação para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil não deve ser tratada como fake news. Ele disse que o tema tem base em uma discussão antiga e voltou a ganhar força por causa do momento político.
Segundo o sacerdote, a origem do caso está em um projeto de lei apresentado em 2007 pelo ex-deputado Victório Galli, que buscava definir Nossa Senhora Aparecida como “padroeira dos brasileiros católicos romanos”. A proposta acabou arquivada na Câmara, mas, na avaliação dele, poderia ser reativada no futuro.
O peso político e simbólico do caso
Lancellotti destacou que o título de padroeira do Brasil é pontifício, e não um ato do Estado. Para ele, o governo poderia apenas alterar o feriado de 12 de outubro, mas não decidir sobre o reconhecimento religioso. O padre afirmou que a discussão ganhou uma dimensão simbólica capaz de alterar os ânimos da disputa eleitoral.
O religioso também mencionou que o tema se conectou à campanha de Flávio Bolsonaro, que negou várias vezes qualquer interesse em mudar o título de Nossa Senhora Aparecida. O senador alegou ser alvo de fake news divulgadas pelo PT com apoio de pessoas ligadas à CNBB.
Perseguições e fala do papa
Na entrevista, o padre disse ainda enxergar risco de aumento das perseguições ao seu trabalho caso o cenário político se radicalize após as eleições. Lancellotti é conhecido por sua atuação com pessoas em situação de rua em São Paulo e já foi alvo de ataques por bolsonaristas.
Ele também comentou a declaração do papa Leão XIV sobre a extrema direita, que, segundo o pontífice, não expressa elementos autênticos do cristianismo. Para Lancellotti, a fala foi lúcida e corajosa diante do contexto atual. (com informações da agência Ansa)