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Ambulantes enfrentam o 7 de Setembro em Brasília para tentar vender mais

Entre o calor, a pressa e o peso das mercadorias, trabalhadores informais apostam na data para reforçar o orçamento

Por JORNAL DO BRASIL
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Publicado em 07/09/2026 às 17:04

Alterado em 07/09/2026 às 17:04

Graça Teodoro da Silva vende água durante o Desfile da Independência, em Brasília Foto: Lula Marques/Agência Brasil

No Desfile da Independência, em Brasília, vendedores ambulantes chegaram cedo à Esplanada dos Ministérios para tentar aproveitar o fluxo de público e vender mais. Entre os produtos oferecidos estavam balões, algodões-doces, churros, água de coco, bonés e chapéus, itens que costumam atrair principalmente famílias com crianças.

Para muitos deles, o 7 de Setembro representa uma oportunidade importante de melhorar os ganhos do mês. A rotina, porém, começa ainda de madrugada e inclui caminhadas longas, peso nas costas e a necessidade de circular o tempo todo entre o público, sem tempo para descanso.

Histórias de trabalho pesado e pouca margem para parar

Renato Siqueira, o Palhaço Bolinha, saiu de Água Quente, no Distrito Federal, com cerca de 30 quilos de mercadorias sobre o ombro. Ele contou que vende balões e algodões-doces em datas comemorativas e que, mesmo com o cansaço, prefere essa atividade ao trabalho anterior, em que recebia salário mínimo para vender plano funerário.

Outro exemplo é Gustavo Ferreira, de 30 anos, que trabalha como cobrador de ônibus e foi ao desfile vender churros de doce de leite e chocolate. Já Samuel Santos, porteiro em Planaltina, tentou pela primeira vez vender água de coco na Esplanada depois de sair diretamente do turno de trabalho, com a expectativa de repetir a experiência se as vendas dessem certo.

Família, estudo e a busca por independência

As histórias também revelam trajetórias marcadas por estudo interrompido e necessidade de trabalhar cedo. O paraibano Reinivaldo Garcia, de 54 anos, vendeu bonés e chapéus sob o sol de Brasília e contou que só estudou até a terceira série do primário, porque precisou trabalhar. Ele disse aos filhos que estudem para não enfrentarem a mesma rotina pesada.

Mesmo em meio ao cansaço e ao calor, os ambulantes demonstram esperança de que datas como o Desfile da Independência, o Dia das Crianças e o Ano Novo ajudem a melhorar o sustento. Para eles, continuar trabalhando nessas ocasiões é uma forma de buscar independência financeira e manter a família em pé. (com informações da Agência Brasil)