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Luiz Estevão, dono do Metrópoles, fechou patrocínio com o Will Bank, do Master, para a Série D da CBF

Acordo entrou em vigor já com o campeonato em andamento, em meio à crise que levou o banco digital à liquidação

Por JORNAL DO BRASIL com Brasil 247
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Publicado em 05/02/2026 às 10:38

Alterado em 05/02/2026 às 10:38

Luiz Estevão Reprodução/TV

O empresário e senador cassado Luiz Estevão, dono do Grupo OK e do portal Metrópoles, negociou diretamente com o Will Bank, braço digital do Banco Master, de Daniel Vorcaro, um acordo inédito de patrocínio para a edição de 2025 da Série D do Campeonato Brasileiro, a quarta e última divisão nacional. A informação foi revelada em reportagem do jornal Estado de S. Paulo, que também apontou como a movimentação afronta o discurso de “fair play financeiro” promovido pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), entidade que mantém parceria com o empresário na realização de eventos como a Supercopa.

O contrato fez do Will Bank o detentor dos naming rights do torneio, que passou a se chamar “Brasileirão Série D Will Bank”. Foi a primeira vez que a competição, organizada pela CBF, teve os direitos comerciais sobre o nome vendidos. Segundo a reportagem, no entanto, a parceria só entrou em vigor já na última rodada da primeira fase, três meses depois do início do campeonato, e não houve comunicados públicos específicos sobre a comercialização dos naming rights. A reportagem não confirmou o valor do contrato.

Como o acordo foi possível: direitos comerciais comprados da CBF
A negociação só foi viabilizada porque Luiz Estevão havia comprado da CBF os direitos comerciais da Série D. Com essa prerrogativa, passou a explorar o torneio no mercado, incluindo a venda do nome da competição e o patrocínio vinculado às transmissões de partidas no canal do Metrópoles no YouTube.

Ao jornal Estado de S. Paulo, Luiz Estevão afirmou que a proposta ofereceu visibilidade aos clubes, criando uma vitrine capaz de melhorar a atratividade comercial do torneio. "O patrocinador está em busca de visibilidade, e o fato de o Metrópoles transmitir dá ao clube a possibilidade de oferecer ao seu patrocinador um grande alcance", disse o empresário, ao defender que a transmissão ajudaria a ampliar a audiência do portal e agregar novos seguidores ao canal.

A CBF confirmou que o Metrópoles “realizou, de forma independente, a negociação dos naming rights da competição com o Will Bank” e informou que o contrato foi encerrado em 2025. Em nota, a confederação afirmou que, para 2026, está recebendo propostas e negociando com interessados nos direitos comerciais da Série D, mantendo o calendário previsto.

Cronologia: marca só apareceu na 14ª rodada
A Série D de 2025 começou em 19 de abril. O Metrópoles e a CBF anunciaram nos dias 2 e 3 de julho, respectivamente, um acordo relacionado à transmissão das partidas. As primeiras transmissões gratuitas no YouTube ocorreram na 11ª rodada, com 15 jogos exibidos em 5 e 6 de julho. Já a logomarca do Will Bank, segundo a reportagem, só passou a aparecer nas placas centrais de publicidade a partir de 26 de julho, na 14ª rodada, última da primeira fase.

O Metrópoles afirmou ter transmitido 140 partidas, enquanto a listagem do YouTube contabilizou 126 jogos exibidos, que somaram 12,5 milhões de visualizações. A média registrada foi de 99,7 mil espectadores por transmissão. O jogo mais assistido teria sido a primeira partida da final entre Santa Cruz (PE) e Barra (SC), em 27 de setembro, com 1,1 milhão de espectadores. A decisão do campeonato ocorreu em 4 de outubro e terminou com o título do Barra, de Balneário Camboriú (SC).

Duas fontes consultadas pela reportagem no mercado de direitos de transmissão afirmaram que os valores da operação não seriam relevantes, citando a “baixa atratividade” do torneio e o custo médio de produção, estimado em R$ 40 mil por partida, além da dificuldade de gerar receita com as exibições — já que, segundo o relato, a CBF não vinha bancando essas despesas.

Gravação divulgada e convite ao jornal para parceria
Outro ponto sensível descrito pelo jornal Estado de S. Paulo foi a divulgação, pelo Metrópoles, da gravação da conversa telefônica entre Luiz Estevão e o repórter que buscava informações sobre a negociação. Segundo a reportagem, a publicação ocorreu antes da matéria ir ao ar.

Na ligação, Luiz Estevão sugeriu que o jornal fosse apresentado como potencial parceiro do Metrópoles na transmissão da Série D. "Coloca na matéria que o Luiz Estevão convidou o Estadão para ser parceiro do Metrópoles na transmissão da Série D", disse, de acordo com o relato do jornal.

O episódio evidenciou o grau de controle do empresário sobre um ecossistema que combina mídia, contratos de transmissão e comercialização de ativos do futebol — um arranjo que, na avaliação apresentada pela reportagem, colide com as diretrizes de governança e integridade que a CBF afirma perseguir.

Quem é Luiz Estevão e qual é o contexto em Brasília
Cassado em 2000, Luiz Estevão é descrito como um dos empresários mais influentes de Brasília, com atuação em imóveis, eventos e comunicação. No futebol, é apontado como o principal cartola da capital, organizando desde 2023 a Supercopa mediante compra do direito de operação junto à CBF, com arrecadação por diferentes frentes comerciais.

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