SAÚDE
Burnout cresce quase 500% e já impacta fortemente a Previdência Social
Por SAÚDE JB
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Publicado em 11/01/2026 às 10:58
. Foto: Pixabay
O número de afastamentos por burnout no Brasil cresceu de forma acelerada nos últimos anos, transformando a síndrome do esgotamento profissional em um problema de saúde pública e também previdenciário. Segundo dados do Ministério da Previdência Social compilados pela Folha de S.Paulo, os auxílios-doença por esgotamento aumentaram 493% entre 2021 e 2024, pressionando as contas do INSS. Apenas no primeiro semestre de 2025, os registros já correspondiam a mais de 70% do total do ano anterior.
Especialistas alertam que os números podem ser ainda maiores, já que o burnout é de difícil diagnóstico e muitas vezes aparece mascarado por outras doenças. Além disso, trabalhadores informais, que não contribuem para o INSS, ficam fora das estatísticas oficiais. O avanço dos transtornos mentais também se reflete no conjunto dos auxílios-doença: em 2024, mais de 472 mil afastamentos foram motivados por problemas de saúde mental, número que continuou crescendo em 2025.
O aumento dos casos ocorre em um cenário marcado por longas jornadas, hiperconexão, home office ampliado e precarização das relações de trabalho. A pandemia de covid-19 intensificou esses fatores, criando um ambiente propício ao adoecimento. Em resposta, o governo reforçou o reconhecimento do burnout como doença ocupacional em 2023 e passou a exigir, a partir de 2024, o mapeamento de riscos psicossociais nas empresas — embora as multas por descumprimento tenham sido adiadas para 2026 após pressão empresarial.
As despesas com auxílios-doença vêm crescendo acima da média dos demais benefícios, saltando de R$ 18,9 bilhões em 2022 para R$ 31,8 bilhões em 2024. Especialistas apontaram à Folha que afastamentos por transtornos mentais tendem a durar mais tempo, o que amplia o impacto financeiro para a Previdência e para o país. Ao mesmo tempo, o trabalhador enfrenta perda de renda, instabilidade financeira e dificuldade para custear tratamentos, já que o benefício costuma ser inferior ao salário.
O fenômeno também se reflete no Judiciário. Processos trabalhistas envolvendo burnout aumentam ano após ano, com mais de 20 mil menções ao termo em 2025 e um passivo estimado em R$ 3,63 bilhões para as empresas. Advogados afirmam que esses casos são resultado de exposições prolongadas a ambientes de trabalho adoecedores e reforçam que a síndrome deve ser tratada como um problema estrutural, não como fragilidade individual.
De acordo com a apuração, pesquisadores e ex-gestores da Previdência destacam que o crescimento dos afastamentos por transtornos mentais é uma tendência de longa duração, observada desde o início dos anos 2000 e agravada pelas transformações recentes do mercado de trabalho. Setores historicamente pressionados por metas, como o bancário, já apresentavam índices elevados de adoecimento psíquico muito antes da pandemia de covid-19.
Para ter acesso ao auxílio-doença, o trabalhador precisa apresentar atestado médico com Classificação Internacional de Doenças (CID) e comprovar que o adoecimento está relacionado ao trabalho. O pedido é feito pela Central 135 ou pelo aplicativo Meu INSS. Enquanto isso, especialistas defendem políticas mais robustas de prevenção e ambientes laborais que reduzam a sobrecarga, sob risco de o burnout continuar avançando e ampliando seus impactos sociais, econômicos e humanos. (com Sputnik Brasil)