Autismo: quando buscar avaliação?

O Google Trends mostrou um aumento da busca de termos ligados aos sinais de autismo, especialmente entre maio e julho de 2020

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Segundo a neuropsicóloga Bárbara Calmeto, do Autonomia Instituto, houve um aumento considerável no consultório após a flexibilização, em busca de avaliação para TEA. E o Google Trends também mostrou um aumento da busca de termos ligados aos sinais de autismo, especialmente entre maio e julho de 2020.

Algumas estereotipias próprias de crianças autistas, como atrasos de fala ou dificuldade na socialização, nem sempre são evidentes em um primeiro momento, e isso, muitas vezes, causa dúvidas nos pais. Entretanto, com o período de isolamento da pandemia e as famílias em contato direto por tanto tempo, muitos pais começaram a perceber mais claramente essas evidências.

A famosa frase “Cada criança tem seu tempo” muitas vezes atrapalha a possibilidade da intervenção precoce e o diagnóstico para o início das terapias. "Quanto mais cedo a família busca as terapias especializadas, mesmo ainda sem diagnóstico fechado, maiores as possibilidades de avanços nos déficits encontrados", explica a terapeuta.

Alguns sinais que os pais devem observar em crianças até 2 anos

Faz pouco ou nenhum contato visual: a criança olha na direção dos seus olhos, do seu rosto? Esse é um sinal de alerta muito importante. Bom falar que a criança não faz contato visual e nem responde por seu nome o tempo inteiro, mas precisamos observar que a criança olhe e responda quando chamada a maior parte das vezes.

Não quer ficar no colo ou evita contato físico: tem crianças que não gostam de ficar no colo, não gostam de ser abraçadas e ter contato físico com outras pessoas e esse é um dos sinais de alerta para autismo. Muitas pessoas com autismo gostam do contato físico, mas é bom observar a qualidade desse contato físico realizado como adequado para a faixa etária quando comparamos com outras pessoas.

Atraso na fala ou dificuldades na comunicação: com 12 meses a criança já está começando a pronunciar algumas palavras comuns do seu contexto, da sua necessidade como “mamãe, papai, dá, mama, água”. Ela tem pelo menos a intenção comunicativa de solicitar por algo. Aos 15 meses, as crianças já estão pronunciando várias palavrinhas e aos 24 meses formando frases com duas palavras. Esses números podem variar um pouco, mas o mais importante é perceber se a criança tem intenção comunicativa, vocalizações, imitação vocal.

Não apontar: a falta do comportamento de apontar para mostrar um desejo ou uma necessidade da criança é um atraso no desenvolvimento e um sinal de alerta para TEA. A criança de 12 meses já aponta para pedir determinado brinquedo ou acesso à comida, por exemplo. Algumas crianças com autismo têm dificuldades de se comunicar com gestos.

Dificuldades na Atenção compartilhada: a criança mostra o que está acontecendo para compartilhar algum interesse com alguém, como por exemplo, apontar para um cachorro que está passando na rua; é uma atenção triangular: criança, objeto, mãe.

Dificuldades no brincar funcional: por volta de 15 meses, a criança já brinca de maneira simbólica usando brinquedos para ilustrar uma ação como por exemplo, dar mamadeira para um bebê, colocar o carrinho na pista e brincar de corrida. As brincadeiras repetitivas, empobrecido, sem função, coloca muito os objetos na boca sem realmente brincar com eles; tudo isso é sinal de alerta para autismo.

Falta de interesse por outras crianças: criança é encantada por outras crianças e brincar junto e com outras crianças. Essa diferença de brincar junto e com é bem importante porque a maioria das crianças com autismo brincar junto (perto) de outras crianças, mas não conseguem brincar com (compartilhando atenção e brincadeiras) com outras crianças. Esse é um dado muito importante para os pais observarem em parquinhos e festas infantis.

Hipersensibilidades ou irritabilidades sensoriais: crianças que se irritam muito com barulhos, texturas de roupas, texturas de objetos, seletividade alimentar, toque da água, dentre outros. O importante de observar é que a criança tem uma sensibilidade além ou aquém do considerado normal para a faixa etária referente a itens relacionados aos sentidos.