MENTE SÃ

Existe algo em sua vida que ficou pela metade?

Por BERENICE KUENERZ

Publicado em 25/03/2026 às 19:17

Alterado em 25/03/2026 às 19:17

. Foto: Pixabay

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Este é um tema que a maioria das pessoas não gostaria de examinar: algo ficou incompleto? Faltou uma palavra, um abraço, um olhar, uma ação, um entendimento, um tempo, uma conexão?

Acredito que, na vida de todos nós, sempre existirá algo que não se completou, ou seja, não se fechou, não se encerrou.

A vida se move cada vez mais rapidamente; existe cada vez menos tempo para parar e refletir. Este artigo é um convite à reflexão e pode trazer a oportunidade, para cada um de nós, de resgatar e completar o que ficou, por diferentes razões, inacabado.

Recentemente, uma cliente contou que, em um torneio de tênis do qual participou, sentiu que saiu de seu eixo de equilíbrio mental e emocional por causa da atitude desrespeitosa da adversária. Embora o evento tivesse acontecido na semana anterior, ela continuava com a adversária na cabeça, ruminando o ocorrido. Isso nos acontece com frequência e, nessa ruminação, revemos não só o que aconteceu, como também o que pensamos que deveríamos ter feito e dito. Isso desgasta emocional e energeticamente — sabemos bem disso.

Algo havia ficado faltando para dar o evento como terminado, e ele continuava, em sua mente, a pedir um fechamento. Sugeri a ela que tentasse fechar o ocorrido com o seguinte exercício: que se visualizasse com a pessoa e deixasse vir à sua mente tudo o que gostaria de ter lhe dito, sem nenhuma análise ou restrição, e escrevesse, escrevesse, escrevesse livremente. Simplesmente derramando no papel, que é totalmente neutro. É uma ferramenta. Vai funcionar? Pode ser — não é garantido —, mas nos retira da posição passiva da ruminação interminável, que não conduz à conclusão, apenas à repetição e ao aumento da carga emocional.

Essa é uma técnica que pode ser usada, inclusive, para o que faltou ser dito àquelas pessoas que já não estão entre nós.

Mas quero trazer outro aspecto dessa questão dos “incompletos” ou “inacabados”, que considero tão ou até mais importante: trata-se de partes ou aspectos nossos que usamos pela metade ou deixamos esquecidos, não desenvolvendo, assim, toda a potência que poderíamos ter em certas situações ou em processos para alcançar nossos sonhos.

Podem ser coisas como: faltou acionar a coragem ou a confiança para investir ou aprofundar uma relação? Faltou arriscar e desengavetar um lado inovador, abrindo espaço para um novo projeto? Faltou lançar mão de um lado aventureiro e fazer aquela viagem totalmente fora do padrão? Faltou arriscar um possível ridículo ao dançar ou cantar? Faltou deixar certas coisas de lado e se escutar mais? Faltou mostrar seu lado mais romântico ou até ingênuo — e tudo bem, porque a vida não se define em um único evento?

O que faltou de mim para ser colocado em alguma situação ou na minha vida? O que faltou que pode me deixar com a sensação, muitas vezes difusa, de que algo ficou faltando?

Quem me acompanha aqui certamente já entendeu que minha proposta sempre tenderá a deixar os lamentos de lado e conduzir ao positivo. Assim sendo, posso acrescentar que algumas coisas possivelmente não têm como ser resgatadas e completadas — isso é fato. Mas sempre é possível escolher e decidir o que fazer a partir de agora. Até porque nossa vida continuará a ser escrita daqui para frente, e não para trás.

Diante disso, ouça especialmente o seu coração. Perceba se alguma parte sua ficou esquecida, engavetada ou tem sido pouco usada — e abra espaço para ela.

O tempo é o grande patrimônio que todos nós temos. Usá-lo bem, em minha perspectiva, é ser e agir de forma que possamos expressar o melhor de nós neste mundo. Uma vida que não passa “em brancas nuvens” é uma vida que se expressa em seus diferentes aspectos.

E, por último, quero dizer que sempre acredito que ainda dá tempo. Talvez não no formato que ficou no passado, mas em um novo formato. E por que não?

Berenice Kuenerz. Psicoterapeuta, mentora em gestão emocional e alta performance.

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