CORPO EM EQUILÍBRIO

Reganho de peso após a bariátrica: medicamentos ou uma nova cirurgia?

Por DR. LUIZ GUSTAVO DE OLIVEIRA E SILVA

Publicado em 24/10/2026 às 06:50

Alterado em 24/10/2026 às 16:41

. Foto: Pixabay

A cirurgia bariátrica é o tratamento mais eficaz para a obesidade grave, mas não representa uma cura definitiva. Anos depois da operação, alguns pacientes voltam a ganhar peso; outros não alcançam o resultado esperado. O assunto ganhou destaque em 2026, quando a Sociedade Americana de Cirurgia Metabólica e Bariátrica (ASMBS, na sigla em inglês) publicou recomendações sobre as opções de tratamento para esses casos. No mesmo ano, um consenso internacional de especialistas propôs definições mais claras para o problema.

A obesidade é uma doença crônica e pode voltar a se manifestar mesmo após a cirurgia bariátrica. Ao longo dos anos, o organismo tende a recuperar parte do peso perdido. Uma das razões são as mudanças nos mecanismos que controlam a fome e a saciedade. Além disso, hábitos alimentares inadequados, falta de atividade física, ansiedade, sono de má qualidade e o uso de determinados medicamentos podem contribuir para o reganho de peso. Em alguns casos, há também alterações na anatomia da cirurgia, como a dilatação do estômago operado ou da passagem entre o estômago e o intestino, o que pode diminuir a saciedade e facilitar o reganho.

Hoje, existem novas alternativas para lidar com esse quadro. Medicamentos como a semaglutida e a tirzepatida atuam no controle do apetite e têm apresentado bons resultados na perda de peso, inclusive em pacientes que já fizeram cirurgia bariátrica. Eles podem ser indicados quando não há alteração anatômica a ser corrigida. Por outro lado, podem causar efeitos colaterais, têm custo elevado e, em geral, precisam ser usados por períodos prolongados, pois o peso pode voltar a aumentar após a suspensão.

Outra possibilidade é a chamada cirurgia revisional, uma nova operação realizada em pacientes selecionados. Ela pode ser indicada quando os exames identificam alterações na anatomia da primeira cirurgia, quando o resultado inicial foi insuficiente ou quando surgem complicações, como refluxo importante após a gastrectomia vertical, também conhecida como sleeve. O procedimento permite corrigir ou ajustar a cirurgia anterior ou convertê-la em outra técnica. Por ser, em geral, mais complexa que a primeira operação, a cirurgia revisional deve ser realizada por uma equipe experiente, após avaliação criteriosa.

Há ainda uma terceira alternativa: os procedimentos endoscópicos, feitos sem cortes na pele. Em alguns casos, eles permitem reduzir a abertura de saída de um estômago dilatado. A perda de peso obtida varia de pessoa para pessoa e, em geral, é mais modesta do que a alcançada com medicamentos ou cirurgia revisional. Conforme o caso, as estratégias também podem ser combinadas, por exemplo, medicamentos associados a um procedimento endoscópico ou a uma nova cirurgia.

Nesse cenário, é importante lembrar que não existe uma solução única para o reganho de peso após a bariátrica. A escolha do tratamento depende das condições e das necessidades de cada paciente e deve ser feita com o apoio de uma equipe multidisciplinar, que pode incluir cirurgião, endocrinologista, nutricionista e psicólogo, entre outros profissionais.

O acompanhamento médico não deve ser abandonado após a cirurgia.

Independentemente da estratégia indicada, seja com medicamentos, procedimento endoscópico ou nova operação, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física e seguir as orientações da equipe de saúde continua sendo fundamental.

Identificar o reganho de peso precocemente ajuda a agir antes que parte importante dos benefícios da cirurgia se perca. Voltar a ganhar peso não é um fracasso pessoal: é uma possível manifestação de uma doença crônica que exige cuidado contínuo.


Dr. Luiz Gustavo de Oliveira e Silva possui Título de Especialista em Cirurgia geral e de Área de atuação em Cirurgia Bariátrica; Mestrado em Cirurgia Abdominal pela UFRJ; é o atual Coordenador do Programa de Cirurgia Bariátrica e Metabólica do Hospital Federal de Ipanema (MS-RJ) e Fundador do Instituto Metabólica, Centro de tratamento da obesidade, doenças metabólicas, cirurgia geral e bariátrica.

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