CORPO EM EQUILÍBRIO

O que muda no corpo da mulher no climatério e na menopausa?

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Por DRA. FERNANDA MATTOS

Publicado em 16/07/2026 às 19:53

Alterado em 16/07/2026 às 19:53

. Foto: Pixabay

O climatério é uma etapa natural da vida da mulher. Ele marca a passagem do período reprodutivo para uma nova fase, em que os ovários reduzem gradualmente sua atividade. Apesar de muita gente usar climatério e menopausa como se fossem a mesma coisa, há uma diferença importante: a menopausa é a última menstruação, confirmada depois de 12 meses sem menstruar; o climatério é todo o caminho até esse momento e o período que vem depois.

Nessa transição, a produção de estrogênio e progesterona diminui. Esses hormônios têm relação com a fertilidade, mas também influenciam o metabolismo, os ossos, o coração, o cérebro e a composição corporal. Por isso, a queda hormonal pode provocar mudanças em diferentes partes do organismo.

Mas nem todas as mulheres passam de forma igual por essa experiência. Algumas mulheres atravessam essa fase com poucos sintomas. Outras sentem ondas de calor, alterações no sono, mudanças de humor, cansaço, ganho de peso ou desconfortos que interferem diretamente na rotina e na qualidade de vida.

Uma das dúvidas mais comuns é se o metabolismo fica mais lento. Com o passar dos anos, o metabolismo basal pode diminuir um pouco, mas o ponto central costuma ser outro: a perda de massa muscular e o aumento da gordura corporal. Com menos estrogênio, o corpo tende a gastar menos energia, acumular mais gordura na região abdominal e apresentar maior resistência à insulina, o que facilita o ganho de peso.

Antes da menopausa, é mais comum a gordura se concentrar nos quadris e nas coxas, mas depois da queda hormonal, a mulher tende a armazenar mais gordura na região da barriga, especialmente na forma de gordura visceral, que fica ao redor dos órgãos. Essa mudança merece atenção porque está ligada a maior risco de diabetes tipo 2, pressão alta, doenças cardiovasculares, gordura no fígado e síndrome metabólica.

A boa notícia é que hábitos de vida fazem diferença. Uma alimentação equilibrada pode ajudar a controlar sintomas e reduzir riscos futuros. No dia a dia, vale priorizar frutas, verduras, legumes, boas fontes de proteína, alimentos ricos em cálcio, fibras e gorduras saudáveis, como azeite, castanhas e peixes. A vitamina D também pode ser indicada em alguns casos, sempre com orientação profissional.

Ao mesmo tempo, é importante reduzir ultraprocessados, açúcar em excesso e bebidas alcoólicas. Padrões alimentares parecidos com a dieta mediterrânea, ricos em alimentos naturais e pouco processados, têm sido associados a melhor saúde cardiovascular e mais qualidade de vida nessa etapa.

O exercício físico completa esse cuidado. A combinação de treino de força, como musculação, com atividades aeróbicas e exercícios de equilíbrio e flexibilidade ajuda a preservar músculos e ossos, proteger o coração, melhorar o sono e o humor, controlar o peso e reduzir a resistência à insulina. Mais do que uma estratégia estética, movimentar o corpo é uma forma de atravessar essa fase com mais saúde e autonomia.

O climatério e a menopausa representam uma nova fase da vida, e não o fim da saúde e do bem-estar. Embora as mudanças hormonais sejam naturais, elas não precisam ser enfrentadas sozinhas nem encaradas como algo que a mulher deve simplesmente aceitar. Com acompanhamento adequado, é possível controlar os sintomas, preservar a massa muscular e a saúde óssea, reduzir o risco de doenças e manter qualidade de vida por muitos anos.

Procure orientação especializada desde os primeiros sinais e sintomas. O cuidado ideal é multidisciplinar com Médicos, nutricionistas, educadores físicos, fisioterapeutas e psicólogos, que irão atuar de forma integrada para elaborar um plano individualizado, considerando as necessidades e os objetivos de cada mulher.

Dra. Fernanda Mattos é nutricionista clínica com pós-doutorado em Bioquímica Nutricional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Doutora em Ciências Nutricionais pela UFRJ e Mestrado em Clínica Médica pela mesma instituição. Possui Pós-Graduação em Nutrição Clínica pela UFRJ, além de formação internacional em obesidade pelo Continuing Medical Education Program in Obesity, do Royal College of Physicians and Surgeons do Canadá, e Diploma de Competência em Sobrepeso e Obesidade pelo Colégio Oficial de Médicos de Barcelona. Realiza atendimento em consultório particular, e atua como Docente permanente do Programa de Pós-Graduação de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFRJ. Autora dos livros “Hipertensão: um guia amigável para uma vida saudável” e “Obesidade: da evidência científica à prática clínica”. Seu principal objetivo profissional é promover saúde, qualidade de vida e tratamento individualizado, baseado em evidências científicas e no cuidado humanizado.

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