Cinco anos do Acordo de Paris e a desgovernança do clima

A cada encontro, em cada discurso, confirmo e reafirmo minha convicção da grande importância das instituições de ensino na formação de líderes para o futuro

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Nos últimos dias, o Pacto Global das Nações Unidas (ONU) uniu-se aos Programas da ONU para o Ambiente e para as Alterações Climáticas, além dos dirigentes da COP 25 e COP 26, juntamente com líderes de empresas e finanças da sociedade civil na oitava reunião anual do High Level Meeting of Caring for Climate para uma conversa sobre formas de impulsionar coletivamente a ação climática.

O que eu observei no encontro foram os representantes de iniciativas como a “Race to Zero” e “Business Ambition for 1.5°C” fazerem um balanço de seus progressos desde o Acordo de Paris e discutirem estratégias para uma recuperação sustentável com o objetivo de enfrentar as crises causadas pela pandemia do covid-19 e as alterações climáticas. Escutei com atenção o discurso do secretário geral da ONU, António Guterres, com sua fala sobre a urgência de ações, pois as políticas climáticas não estão à altura das metas, e sobre a imprescindível necessidade dos países signatários encontrarem soluções inovadoras pós-pandemia como empregos sustentáveis e a redução da emissão de carbono.

A cada encontro, em cada discurso, confirmo e reafirmo minha convicção da grande importância das instituições de ensino na formação de líderes para o futuro. Instituições comprometidas com a agenda global que irão desenvolver em seus alunos a criticidade para a tomada de decisão dentro das organizações em prol de resultados que irão impactar o futuro de todos. Hoje, a ONU conta com o The Principles for Responsible Management Education (Os Princípios para uma Educação Executiva Responsável), o PRME, que possui mais de 800 escolas de negócios e instituições de ensino signatárias ao redor do mundo.

A reunião que ocorreu teve o objetivo de ser um “aquecimento” para a cúpula virtual “Climate Ambition Summit”, co-convocada pelas Nações Unidas, Reino Unido e França, em parceria com o Chile e a Itália, que ocorrerá neste sábado, dia 12 de dezembro, data do aniversário do Acordo de Paris (compromisso mundial sobre as alterações climáticas que prevê metas para a redução da emissão de gases do efeito estufa). Será neste encontro que os governos nacionais deverão anunciar novos compromissos ambiciosos nas metas já estipuladas no Acordo.

Nos últimos cinco anos, o avanço dos países para solucionar o desafio climático ocorreu na contramão do aumento dos desastres relacionados às mudanças climáticas como ondas de calor, secas, incêndios florestais, inundações, etc. Porém, o Acordo de Paris teve sua importância para limitar os danos do aumento da temperatura média global. A Cúpula que será realizada no sábado soa animadora com novos compromissos de neutralização de carbono anunciados por Coreia do Sul, Japão, União Europeia e pelo presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, para 2050 e para 2060 pela China e pelo Brasil.

Enquanto a sobrevivência do mundo está em jogo, o que se espera da Cúpula é que os alertas realizados incessantemente pela ciência não sejam mais ignorados; que a sinergia entre a Academia, o setor público e o privado criem vínculos cada vez mais produtivos em prol da agenda global; que os signatários do Acordo de Paris apresentem seus compromissos não apenas revistos, mas que sejam viáveis política e economicamente e que esses compromissos tenham rápida aplicabilidade e retorno. Ainda temos tempo, mas ele se esgota a cada indecisão ou, pior, a cada decisão equivocada dos líderes mundiais.

*Norman Arruda Filho é Presidente do ISAE Escola de Negócios e Membro do Comitê Brasileiro do Pacto Global das Nações Unidas.