Mobilidade urbana inteligente

O conceito de cidade inteligente, do inglês smart city, engloba elementos que podem facilitar e melhorar a qualidade de vida da população, desde importantes projetos estruturantes até pequenas adaptações e correções dos sistemas existentes, mas sempre com foco no cidadão. A mobilidade urbana inteligente é parte de uma smart city que deve contar com as melhorias da tecnologia para integrar infraestrutura de transporte, veículos e usuários. A natureza da circulação de pessoas e bens, desde a qualidade da infraestrutura de transporte, dos modelos operacionais até os tipos de veículos usados, tem um impacto direto sobre o meio ambiente, o consumo de energia e a qualidade de vida. As ferramentas inteligentes para o gerenciamento da mobilidade podem ajudar os gestores a monitorar e otimizar esses movimentos, construindo um transporte urbano mais sustentável.

O transporte público multimodal é a chave para cidades eficientes e sustentáveis, com forte ênfase nas integrações operacional, física, tarifária e institucional dos modos de transportes. A integração operacional garante horários, frequências, itinerários e oferta de transporte compatível com a demanda. A integração física, a estruturação espacial, abrangência e interfaces. A integração tarifária tem como ponto principal a tarifa única para acesso a todo o sistema de transporte, com tecnologia de controle embarcada e smartcard. A institucional tem como pilar a constituição de uma autoridade metropolitana única.

As redes de transportes integradas devem possuir opções de viagem por diversas modalidades (caminhada, bicicleta, carros, táxis, ônibus, BRT, trens, metrôs, VLT, barcas etc.), todas seguras, bem planejadas, não poluentes e com tarifa única e transferências contínuas.

Uma mobilidade urbana sustentável tem espinha dorsal num sistema de transporte sobre trilhos, nos corredores de grande demanda (acima de 45 mil passageiros/hora/sentido), como metrôs e trens. Nos corredores de média demanda (entre 15 mil e 45 mil passageiros/hora/sentido), devem existir os sistemas leves sobre trilhos (VLT) e sistemas segregados sobre pneus (BRT). Como sistemas alimentadores e complementares devem ser utilizados os transportes rodoviários e hidroviários, como ônibus convencionais, em vias exclusivas ou linhas circulares; e barcas. 

Existe também a necessidade de uma infraestrutura viária compatível com a movimentação de veículos, com sinalização e controle de tráfego inteligente e uma rede cicloviária protegida e sinalizada. As soluções inovadoras são bem-vindas, como teleféricos, elevadores de grande capacidade e bicicletas públicas. O gerenciamento da mobilidade urbana deve prever restrições e limitações ao transporte individual nas zonas centrais, calçadas confortáveis, niveladas, sem buracos e obstáculos, para atender as viagens a pé ou em cadeiras de rodas, e educação de trânsito. São imprescindíveis as interfaces que permitam integração multimodal e ofereçam conforto, segurança, serviços e comércio.

No caso do Rio, para que haja evolução em termos de mobilidade, seriam necessárias as seguintes ações gerenciais: melhorar drasticamente a qualidade do transporte coletivo; rebalancear a matriz de transporte público, com ênfase na metroferrovia; expandir a rede de transporte para toda a população; implantar, aumentar e melhorar os modos de transportes em função da demanda; construir interfaces multimodais de médios e grandes portes, para promover a integração entre os modos de transportes; implantar a autoridade metropolitana única; implantar a política tarifária multimodal; promover as inspeções veiculares regulares; limitar os automóveis nas zonas centrais; integrar o sistema de transportes com a segurança pública; modernizar a sinalização viária e tornar a semaforização inteligente; e melhorar o sistema viário e cicloviário e as calçadas para pedestres.

O transporte urbano multimodal, integrado, abrangente, barato e ecológico transforma positivamente a mobilidade urbana de uma cidade e é fundamental para a melhoria da qualidade de vida de sua população.

* Doutor em Engenharia de Produção pela Coppe/UFRJ e professor da FGV