Lições de resiliência com a Copa do Mundo

O que aconteceu com a seleção canarinho? O que aprendemos com isso e que lições podemos tirar da Copa do Mundo? O técnico Tite tinha nas mãos um ótimo material humano, com talentos individuais incríveis e muita união entre os integrantes da seleção. Sem dúvida percebeu que precisava resgatar a autoconfiança perdida durante a Copa do Mundo de 2014 e tornar o time “forte mentalmente”. 

Um time “forte mentalmente” é motivado pelo prazer de jogar, de representar seu país. É uma equipe determinada e comprometida, cujos valores, interesses e paixões são congruentes com seus objetivos e expressam o que tem de melhor e mais verdadeiro, além de ter sempre esperança – o pensamento esperançoso reforça a percepção da competência, do controle, da autoestima e da autoeficácia. 

A instabilidade emocional dos jogadores brasileiros levou-nos à desclassificação. O fantasma de 2014 rondou os bastidores da seleção. Faltou liderança em campo, alguém que inspirasse o time a atingir os melhores resultados, mas principalmente faltou-nos resiliência. 

Resiliência é um conceito que vem da Física, mas, com relação ao comportamento humano, ela é a habilidade de superar adversidades sem ser afetado por elas de modo negativo e permanente (Matta & Victoria) e está intimamente ligada ao otimismo, que nos torna capazes de enxergar os desafios tendo em mente a nossa capacidade de superá-los. 

A resiliência nos faz assimilar as situações com os pés no chão. Enfrentar a realidade, por mais que seja difícil, é uma tarefa necessária. Ela e o otimismo influenciam positivamente na nossa força, na eficiência, no controle, na perseverança e na nossa própria capacidade de superar obstáculos e atingir objetivos.

A lição aprendida nesta Copa é que precisamos recuperar a crença na nossa competência e exercitar a resiliência. Notamos claramente um grande equilíbrio emocional nas seleções que foram adiante, além, obviamente, da capacidade técnica das mesmas. É preciso entender que o que acreditamos diante das dificuldades determina o nosso sucesso ou fracasso. A melhor forma de melhorar isso é transformar o modo de ver os acontecimentos como permanentes para temporários e específicos. 

A resiliência determina a nossa postura diante de situações difíceis e nossa motivação para enfrentá-las. É preciso encarar as dificuldades como desafios para crescimento e valorizar as nossas conquistas. Somos capazes de influenciar o resultado dos acontecimentos, de enxergar as exigências potencialmente estressantes como oportunidades e não como ameaças. O que sentimos não é causado pelos acontecimentos, mas pela interpretação que damos a eles.

Temos a tendência de dar foco ao problema quando temos algo a resolver. Costumamos perguntar: o que deu errado? Por que deu errado? Em situações mais complexas, focar nisso pode tornar as coisas mais complicadas ou nos levar a desenvolver um padrão de pensamento repetitivo e improdutivo. Concentramo-nos em aspectos negativos e alimentamos o cérebro com estímulos que em nada contribuem, tais como os pontos fracos, os erros, as incapacidades, as limitações e as impossibilidades. 

Nosso foco precisa estar na solução, o que não significa ignorar o problema, mas abordá-lo de modo mais positivo e produtivo. É preciso concentração no que temos de melhor, nos nossos pontos fortes, nos desafios, nas oportunidades e ganhos possíveis e fazer a seguinte pergunta: o que eu posso fazer daqui para frente? Precisamos adotar uma postura proativa, substituir a preocupação pela ação e aprimorar a habilidade de resolver problemas de modo mais rápido, eficaz e criativo. 

Pare. Pense objetivamente no que aconteceu, sem emitir opinião, sentimento e avaliação. Reflita em como você interpretou o fato, as emoções que sentiu e como se comportou. Encontre uma explicação positiva para o evento, descreva a emoção e os comportamentos que essa explicação inspira em você. Abra sua mente para novas possibilidades e seja mais feliz. 

Que venha 2022!

* Consultora de Recursos Humanos