Que falta faz uma grande equipe, uma grande seleção

Talvez seja o principal sonho de produtores rurais na pecuária de leite: uma equipe para valer voltada exclusivamente a abrir o mercado internacional aos derivados de leite. Para simplificar, falarei em exportação de leite. É um sonho de superior patriotismo. Estamos falando de milhões de empregos e da manutenção de atividade produtiva em centenas de milhares de propriedades rurais. Em geral os brasileiros da área urbana só escutam falar de leite quando o preço do produto e seus derivados sobem, como está ocorrendo agora. Laticínios que captam leite, depois de muitos meses pagando em torno de um real por Kg (só um real! ) se oferecem a pagar até 50% a mais para angariar novos fornecedores primários... 

Os urbanos não fazem  ideia de como estão pobres as pastagens  nesses meses de outono e inverno, e como isso além de outros fatores,  reduzem  a oferta e aumentam os custos. Novamente a culpa é dos produtores, das entidades, da falta de política pública que possa divulgar como se comporta o ciclo produtivo e suas consequências a cada ano. Não há campanha que mostre a importância da produção leiteira em quase todos os municípios do país, pensaram nisso? Imagino que se apenas os médicos e engenheiros que se formaram sustentados pelo duro trabalho de seus pais tirando um pouquinho de leite, somente esses se mobilizassem essa campanha se tornaria muito ruidosa. Imagino o título, “sou médico graças ao trabalho de meus pais produzindo leite... quero lembrar como essa atividade é fundamental para o Brasil”. Mas, não há nenhuma campanha, nem de esclarecimento. Por isso, chamei de sonho a formação de grande equipe para abrir o mercado internacional e, com mais demanda, equilibrar preços e manter milhares de propriedades ativas.  

Com o volume de milho, soja e algodão que produzimos (base da ração das vacas) continua sem explicação nossa ausência do mercado de exportação. Muitos analistas sugerem que as grandes empresas exportadoras do setor são de propriedade da comunidade europeia e lá, leite é entendido como questão de Estado, de geração de emprego e renda e novos grandes exportadores não seriam bem-vindos... Se é isso, de que servem entidades do setor e governos? Onde estão os produtores e seus representantes que nem se candidatam? Queria uma seleção de pessoas, diferente de tudo que aí está, trabalhando 24 horas ao dia para abrir mercado e cumprir metas até quatro anos. ´

Alguém a chamaria de Agência Brasileira para Exportação de Leite, ou Força Brasileira de Preservação de Empregos, ou qualquer outra coisa diferente, superior. Deve ser instalada aproveitando recursos materiais e recursos humanos que nada estão fazendo em órgãos contaminados, mal definidos, sem estímulo ou reconhecimento. Meu sonho é termos um time que vai ajudar o Brasil tanto quanto a seleção de futebol pode dar alegrias. Este momento, de desesperança total dos brasileiros, com um horizonte político pobre, mesquinho, de políticos profissionais, poderia suscitar a iniciativa de remanejar recursos e instalar algo verdadeiramente útil para os próximos anos. Só vai acontecer algo saudável nessa direção se os produtores rurais se articularem, como os caminhoneiros, e gritarem articulados: Brasil!!! A bola está com quem trabalha e produz.