Enquanto o Brasil enfrenta uma crise que confirma que o presidente Michel Temer não tem mesmo condições de governar, e a ministra Cármen Lúcia pauta para o próximo dia 20 de junho a questão da possibilidade de o Supremo Tribunal Federal decidir sobre a adoção pelo Congresso, através de uma PEC, do Parlamentarismo, tendo como relator da matéria o ministro Alexandre de Morares, um fato grave no continente acontece e passa quase desapercebido.
O presidente da Colômbia, Juan Manoel Santos, em fim de mandato, decide que o país ingressará na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que alguns veículos de imprensa insistem em denominar de Aliança Ocidental.
A Colômbia, não tendo nada a ver com o Atlântico Norte, coloca em risco a região, inclusive com a possibilidade de se tornar uma ameaça para a paz, já que com o ingresso na Otan a América do Sul corre risco advindo de armas nucleares, como acontece com a referida organização. Ou seja, a área de paz que é a região deixa de existir.
Isso para não falar que os antecedentes da Otan, por exemplo, são perniciosos para a paz mundial, como demonstram episódios recentes como o dos bombardeios na Líbia, que culminaram na divisão de um país próspero em uma área conflagrada.
Alguns anos antes, a Otan também participou dos bombardeios na antiga Iugoslávia, que culminaram com a divisão do país e a derrubada do então dirigente Slobodan Milosevic, que morreu na prisão sendo absolvido de uma série de acusações feitas pela própria Otan, entre as quais de desrespeito aos direitos humanos. A absolvição foi também praticamente ignorada pelas agências de notícias internacionais.
São fatos históricos importantes de serem informados para que a opinião pública conheça realmente acontecimentos que se perderam no tempo tendo no fim das contas prevalecido versões que não correspondem à realidade.
Para muitos analistas internacionais, um deles o sociólogo argentino Atilio Borón, a Otan não passa da “maior organização criminosa terrorista do mundo”. Vale também acrescentar a opinião do analista argentino: o ingresso da Colômbia na referida organização “coloca em risco as tropas do país para serem usadas como bucha de canhão” (para alguma aventura belicista na região).
Para amenizar as críticas, o presidente colombiano disse que, apesar da presença da Colômbia na Otan, o seu país não participará de operações militares, o que é colocado em dúvida. Ainda segundo Borón, a entrada da Colômbia indica que “a diplomacia e a negociação política estão sendo deixadas de lado e que a linguagem das armas se começa a ouvir”.
Se o Brasil fosse governado por um dirigente que não se submetesse a interesses estrangeiros, como acontece agora com o presidente Michel Temer, muito provavelmente estaria, se não questionando, pelo menos pedindo maiores informações sobre a medida adotada por Juan Manoel Santos.
Resta saber, agora, qual será o posicionamento sobre o ingresso da Colômbia na Otan do próximo presidente colombiano a ser eleito. Com a palavra Ivan Duque, apoiado pelo ex-presidente Álvaro Uribe e o ex-prefeito de Bogotá Gustavo Petro.
O tema é tão relevante que deveria ser pautado para ser respondido pelos candidatos à Presidência do Brasil e também pelos que aspiram ocupar um lugar no Congresso.
E, para que isso aconteça, é necessário também que o tema Otan em um país que faz fronteira com o Brasil seja de amplo conhecimento da população que decidirá no próximo dia 7 de outubro quem ocupará o lugar do atual mandatário.
Em suma: é mais do que necessário que a população brasileira saiba o que está acontecendo na vizinha Colômbia e a possibilidade concreta de a América do Sul deixar de ser uma região de paz e avessa às armas nucleares.
* Jornalista e escritor