ASSINE
search button

A formação do pro?ssional do futuro

Compartilhar

Nos dias 15 e 16 de maio, a Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) promoveu, no Rio de Janeiro, o Congresso RH-Rio. O grande mote do evento girou em torno da máxima “O futuro em nossas mãos”, e um de seus núcleos temáticos foi a “inovação em educação”. A proposta urge diante de uma sociedade ocidental que vem sofrendo expressivas mudanças, principalmente nas últimas décadas. Pensar em inovação em educação remete ao Movimento da Escola Nova, constituído por teóricos do mundo todo, na primeira metade do século 20. Esse movimento, que se contrapunha ao ensino dito tradicional e buscava a renovação na educação, teve como um grande expoente o teórico norte-americano John Dewey. Os grandes nomes brasileiros pertencentes ao movimento escolanovista foram Fernando Azevedo, Lourenço Filho e Anísio Teixeira, que inclusive, em 1932, promulgaram o “Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova”. 

Uma das propostas fundamentais da Escola Nova era retirar o professor do foco do processo ensino-aprendizagem, colocando o aluno no centro, tornando-o um sujeito ativo nesse processo. Esse movimento ainda produz muito eco na educação contemporânea, tanto que em 2015 o Ministério da Educação divulgou o Mapa da Inovação e da Criatividade na Educação Básica no Brasil, com o propósito de destacar e incentivar propostas inovadoras e criativas na educação. 

Essa proposta teve como alavanca a percepção de que três grandes mudanças sociais, que aconteceram nas últimas décadas, exigem uma transformação da educação no Brasil. A primeira ocorre no mundo do trabalho, onde a expectativa de vida mais longa e a dinâmica da economia têm possibilitado carreiras mais longas e menos previsíveis. Essa nova configuração tem dissolvido as fronteiras entre as áreas de trabalho, exigindo profissionais com saberes e competências diversas. 

A segunda grande mudança refere-se à exigência de atitudes éticas, prudentes e criativas em relação ao planeta. O risco da ausência de futuro torna explícita a necessidade de se criar soluções para resolver problemas que parecem insolúveis. Isso exige que os profissionais aprendam a pesquisar e assumam novas atitudes e comportamentos. 

Já a terceira mudança diz respeito ao impacto social das novas tecnologias de informação e comunicação (TICs), que modificou os modos de produção de conhecimento, facilitou o autoaprendizado, a formação de comunidades de aprendizagem e as redes de produção de conhecimento a baixos custos. Isso coloca o estudante como um protagonista de sua própria formação. 

Diante desse cenário, vale pensar sobre o modo como nossas universidades têm lidado com seus alunos. Que tendência pedagógica tem tido espaço nas universidades brasileiras? A mais tradicional ou a mais inovadora? Quem assume o papel principal nas salas de aula das nossas universidades, o aluno ou o professor? 

Uma proposta que vem ganhando espaço nas universidades no mundo todo, como Harvard e MIT – e cujos alicerces remontam à Escola Nova – é aquela relacionada às Metodologias Ativas. Embora ainda bastante pulverizado, esse conceito aponta para o uso de múltiplos métodos de ensino, em que o aluno, enquanto sujeito autônomo, torna-se o ator principal de sua própria formação profissional. Dois desses métodos têm ganhado mais destaque dentro dos espaços de formação superior: a sala de aula invertida e o Design Thinking. O primeiro propõe uma quebra da lógica de organização tradicional do ensino. O objetivo é o prévio acesso, por parte do aluno, ao material didático. O estudante vai para o local de aula munido de informações e dúvidas para compartilhar com o professor e seus colegas. Nessa perspectiva, o professor sai do papel de detentor e transmissor do conhecimento, e o aluno sai do estado de passividade diante de um conteúdo completamente alheio. A sala de aula, então, se converge em um ambiente de debate de ideias com variados pontos de vista.  

O segundo método é o Design Thinking, uma proposta em que um conjunto de problemas é colocado em pauta no espaço de formação do profissional. Os estudantes, divididos em pequenos grupos, precisam debater e deliberar, propondo soluções para os problemas. Os indivíduos dos outros grupos podem comentar e acrescentar pontos que julgarem importantes à deliberação alheia. Tanto na primeira, quanto a segunda técnica de metodologias ativas, o aluno é o centro do processo ensino-aprendizagem, ele é um sujeito ativo, sua participação é fundamental à construção de seu aprendizado. Aí cabe uma outra pergunta: será que o aluno que passa por uma Educação Básica embasada no ensino dito tradicional, centrada na figura do professor, terá suas potencialidades, talentos, habilidades desabrochadas na formação superior a partir do uso das metodologias ativas?

* Mestre em Administração ([email protected]

** Mestre em Educação ([email protected])