Martin Buber, o ?lósofo do diálogo

O grande filósofo, escritor e pedagogo judeu Martin Buber nasceu em Viena, no seio de uma família judaica ortodoxa e que possuía tendências sionistas, no dia 8 de fevereiro de 1878 e faleceu no dia 13 de junho de 1965, aos 87 anos de idade, na cidade de Jerusalém. Por que lembrar desse grande escritor e pedagogo austríaco, que também foi jornalista e teólogo e que tanto escreveu e batalhou pelo diálogo, pela convivência respeitosa entre oponentes, enfim, que foi um inesquecível arauto da paz? 

O que explicaria melhor a razão do surgimento dessa pergunta: será o efeito da profunda diferença do que esse grande homem estudou e a que se dedicou e o que está ocorrendo em muitas partes deste nosso planeta tão conturbado e violento? Resulta desse atrito, para aqueles que acreditavam na possibilidade de um mundo menos injusto, um sentimento imediato de desânimo  e de alguma desesperança. Correndo o risco de ser repetitiva, lembro, mais uma vez, desse movimento contínuo de correntes negativas que se intercalam, se sobrepõem ou se seguem, poderosas, antes ou de pois de eventuais correntes positivas. Retornando ao tema principal, deste artigo, lembramos que Martin Buber descendia de rabinos poloneses. 

Curiosamente é interessante mencionar que seu avô, Salomon Buber, foi líder do judaísmo liberal ou modernizado e também foi um especialista em Midrash, que significa, em hebraico, “história”, “investigar” ou “estudo”. Trata-se de uma forma narrativa que se desenvolveu através da tradição oral. Buber pregou, antes de mais nada, o dialogismo, que consiste em uma postura didática em relação à aprendizagem que aumenta os níveis da aprendizagem de todos os alunos. Esse tipo de aprendizagem tem a qualidade de argumentar, valorizar e respeitar todas as pessoas, por mais diferentes que sejam seus níveis socio-econômicos, seu gênero, sua cultura, seu grau de instrução etc. 

A base da comunicação, segundo Buber, é o diálogo. E para que aconteça um verdadeiro diálogo, as duas partes têm que estar dispostas a falar e escutar. Atualmente, autênticos diálogos são escassos. As pessoas monologam, em sua grande maioria. A companhia do smartphone nesse monólogo é muito comum e repetida. Observam-se, hoje, em restaurantes, bares, espaços de lazer, em geral, um número expressivo de pessoas que se reúnem em torno de uma mesa para comemorar ou relembrar uma data importante e cada um está com o seu respectivo smartphone em uso, realizando um festival coletivo de monólogos. É paradoxal, vejamos: a motivação da reunião é reunir-se, compartilhar uma data em conjunto, é realizar um congraçamento que é eminentemente um ato de conjunto, de reciprocidade. E o que ocorre na verdade: uma reunião de solidões, de monólogos. Na aula dialógica, todos os alunos participam com sua contribuição para o processo de construção do conhecimento. O professor é o facilitador. A convivência com o próximo é ensinada. A filosofia do diálogo, segundo Buber, se fundamenta basicamente em dois pilares: Eu-Tu (relação) e Eu-Isso (experiência). Hoje, o que mais se vê em uma abordagem com intenções autoexplicativas e não autorizadas é EU-EU (sinal de solidão, de monólogo, de incompreensão, de isolamento).

* Mestre em Educação