Casanova: o maior amante do mundo

O mais célebre sedutor foi também o homem que se apresentou ao mundo escrevendo a sua própria autobiografia, escrita em francês e intitulada “A história da minha vida”. Don Juan é uma criação humana. Não existiu no mundo dos fatos. Contudo, existiu Giacomo Girolamo Casanova, escritor e aventureiro italiano. 

Tentou ser militar e eclesiástico, mas desistiu. O seu dom era ser, portanto, o maior amante do mundo. O roteirista e romancista Flávio Braga fez um resumo da sua famosa, e extensa, autobiografia em “Eu, Casanova, confesso”. Nele, conta confissões de um eterno amante que, dias antes de falecer, falou durante seis horas a um padre. Belo livro. Indico.

“Finalmente, padre, antes das orações que sei que o senhor me obrigará a sussurrar, quero deixar claro que meus pecados são os de um homem que teve a coragem, a audácia e a habilidade para realizar o que a maioria gostaria de fazer”. Assim, começava a contar toda a verdade da sua polêmica e, para alguns, inspiradora, vida pessoal, repleta de paixões e luxúria.

Em determinado trecho, confidenciou: “Usei batina apenas para conseguir maior aproximação das carolas, trajei farda pensando em como as mulheres adoram um uniforme e alguma autoridade sem fundamento, dilapidei pequenas fortunas para despir damas que estabelecem um preço para cada peça de roupa, menti no ouvido de futuras amantes como quem diz o que não credita”.

Da Veneza, na Itália, para o mundo, Casanova conheceu a Europa e os grandes personagens da sua época, o século 18. Amou muitas mulheres, de maneira intensamente, tal como o nosso Vinícius de Moraes. Ambos convergem para uma característica: a arte do ponto de vista desses talentosos amantes. Casanova, na arte literária, onde escreveu, por exemplo, “Nem Amor Nem Mulheres ou o Limpador de Estábulos” e “Isocameron”, e Vinícius, o nosso “poetinha”, com as suas inesquecíveis composições musicais, além dos seus conhecidos poemas. E o amante italiano, durante a confissão, finalizou: “Fui devotado a mulheres, ao jogo, ao café e à literatura. Vivi com um filósofo, morro como um cristão”.

 

Antônio Campos - advogado, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras [email protected]