Só deu mico leão dourado. Viva Adriana Esteves!

A sensação que tenho hoje, dia do encerramento da Rio +20, é a de que pagamos um mico leão dourado nesse encontro. Como bem disse a diretora do WWF, Yolanda Kakabadse, os US$ 150 milhões gastos na epopéia poderiam ( e deveriam, acho eu) ser usados em ações reais de sustentabilidade. Mas todos nós estamos carecas de saber que o Brasil de Lula e Dona Dilma - nessa ordem, por favor – navega em mar de almirante, está imune a crises, voa em céu de brigadeiro. US$ 150 milhões? Peanuts, ora!

Da janela de casa, em plena Rua Jardim Botânico, só ouvia as sirenes  e via o comboio de  carros e mais carros, indo e vindo do Recreio dos Bandeirantes, queimando óleo e gasolina, contribuindo ainda mais para empestear de fumaça e gases venenosos  o bairro que deveria ser o símbolo verde.

Dona Dilma usou outra vez o blazer vermelho ( imagino que tenha uma coleção deles), Lula apareceu pra dar pitacos sustentáveis depois do mico leão dourado que pagou com essa absurda aliança com o Maluf – que emporcalha qualquer biografia, os hollywoodianos deram pinta achando que estavam na taba dos velhos filmes de John Wayne e São Pedro aprontou feio. Se a médium Adelaide Scritori andou por aqui, como foi especulado, está definitivamente desmoralizada. A chuva também foi um mico leão dourado.

O mais assustador ficou claro para a imprensa estrangeira: o Rio não está pronto para sediar a Copa e as Olimpíadas. O “Financial Times” britânico, em sua edição de hoje, sexta-feira, 22, põe em dúvida “a capacidade do  Brasil - e em especial do Rio - de garantir a infraestrutura necessária à Copa do Mundo e aos Jogos Olímpicos.”  Como diria meu saudoso mestre Ibrahim Sued, too bad!!!

Enfim, chega de sustentabilidade. E também da tal de superação. Essas duas palavras, de tão usadas, estão perdendo o sentido.

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Mudando da ecologia para o hortifruti. A discussão da hora é se Juliana Paes conseguirá substituir Sonia Braga no imaginário brasileiro como a Gabriela ideal. Considerando que a versão da Braga foi no longínquo 1975, é claro que Juju vai ocupar o espaço, afinal há novas gerações assistindo a Gabriela dela – muitos nem sabem quem é Sonia Braga. Uma pena, mas a vida é assim. Saiu da telinha, morreu. A Globo, aliás, contribuiu para isso na reportagem do “Fantástico”, na qual omitiu o nome da atriz. Desculpou-se depois que La Braga chiou, mas quantos terão lido o mea culpa?

Para o pessoal da minha geração, Sonia Braga é insubstituível e não apenas por Gabriela. Quem esquece de sua Julia Mattos em “Dancin’ Days”? Ela arrasou na novela de Gilberto Braga. Acho que é uma atriz mais completa do que a Juliana, mas vamos combinar que a nova Gabriela é linda, sexy de enlouquecer o Nacib e os machos da audiência, além de ser uma pessoa muito simpática. Não a conheço, mas gosto. E imagino que esta seja a sensação de milhões de telespectadores Brasil afora. Noves fora a tecnologia que evoluiu imensamente dos anos 70 pra cá e que a Globo usa como poucos no mundo. Justiça seja feita. As novelas da Globo são coisa de primeiro mundo. Aí não há perigo de mico leão dourado.

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“Avenida Brasil” é tudo. João Emanuel Carneiro é excelente novelista, o mais destacado dessa nova e bem-vinda geração de autores. Tudo tem que se renovar, então por que não as novelas?  Prova disso é a deliciosa “Cheias de Charme”, que bate recorde de audiência no horário, assinada por dois novatos: Izabel de Oliveria e Filipe Miguez. A dupla trouxe frescor para o horário e vem acertando em cheio com as empreguetes maravilhosas e aquela Chayene irretocável de Claudia Abreu. Agrada da vovó ao netinho, como dizia aquele reclame de antigamente.

Se superação é a outra palavra da hora, quero usá-la adequadamente para alguém que dela fez uso: Adriana Esteves. Massacrada, anos atrás, por um colunista paulistano, a moça entrou em depressão e deu um tempo. Qual uma fênix, ressurgiu. Primeiro, como a  hilária Celinha de “Toma lá dá cá”, ao lado de Miguel Falabella e companhia. E agora como  Carminha, este ser amoral, personagem cheio de nuances, que ela defende com a maior competência em “Avenida Brasil”. Nada como dar a volta por cima. Daria tudo pra ver com que cara anda agora o maldoso colunista. Como cantou a Carmen Lucia no capítulo de quinta-feira, vitoriosa depois de mais uma armação, “eu quero tchu, eu quero tcha, eu quero tcha, tcha, tcha, tcha”. Toma, papudo!