Crônica: Um dia eu chego lá 

Mais um ano se passou e eu não virei celebridade. 

Não fui rever Londres e vê-la se engalanando para as Olimpíadas como a bonita Christine Fernandes, convidada da Contigo; não estive na plateia do divino Tiago “Tim Maia” Abravanel no Castelo de Caras  em Terrytown, Nova York, onde deu pinta o David Brazil – que conheci, já lá se vão bem uns 20 anos, quando ele acabava de chegar de Pernambuco e tentava desesperadamente um lugar ao sol, passando notícias sobre os famosos e suas futriquinhas. 

Mas aquela ainda era uma época tímida de celebridades. Nada que se compare com a usina dos últimos 10 anos, onde celebretes, famosetes ou candidatos a multiplicam-se como coelhos no cio. Verdadeira praga! David, hoje, brilha neste céu de estrelas e já esnoba aqueles pequenos pontos de luz da insistente moçada da quarta divisão de acesso. O pessoal que sonha com um aniversário no Porcão comandado pelo promoter que chegou lá.

Não virei celebridade e também ninguém corre pra mim para saber do meu namorado de 28 anos, aquele que é tão apaixonado, tão cheio de tesão e disposição que não perde oportunidade – ponto de luz que ainda é – de declarar sua vontade de ter um filho comigo. Euzinha, que já sou avó há tantos anos!  Nenhuma empresa de tinta de cabelo me paga uma fortuna para eu aparecer com a cabeleira negra como a Iracema do José de Alencar hoje e descolorida como Madonna amanhã. Um saco, isso!

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O admirável mundo das celebretes!  Há muita gente inteligente, culta, preparada – nem que seja preparada para o alpinismo necessário. Mas a grande maioria é de uma ignorância que chega a comover. As platitudes que soltam a cada entrevista, a quantidade de frases feitas (ou de auto-ajuda) que decoram para enganar os incautos,  aquelas cabeças revestidas por longos cabelos esticados na chapinha, cujos cérebros só pegam no tranco, os peitos cheios de silicone, as bundas malhadas à exaustão,as caras tão entupidas de botox que já viraram máscaras de filme de terror trash!

O único consolo é que a praga é mundial.

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Para mim todas essas reportagens soam tão falsas! São tão montadas quanto os cenários das fotos e o make das convidadas, que viajam por cortesia, se hospedam na permuta, assim como se vestem, se maquiam, se penteiam. Como perguntava  meu saudoso amigo Celso Cardim, quando éramos convidados para  jantar por algum restaurateur da hora, naqueles anos dourados e agitados: “É mesa-cambalacho?”

Mesa-cambalacho significando que não gastaríamos nem um centavo com a rica mordomia, kakakakakaka!!!!

Não chega a ser cambalacho no sentido pejorativo o tanto que nossas celebretes gozam em suas viagens mundo afora, ou nas festetas a que comparecem com roupas de grife obrigatoriamente citadas nas legendas, assim como os sapatitos, que sempre aparecem naquela pose dos pezinhos cruzados. Tão engraçadinhas! Tão Hollywood, né?  É bem bolado lance comercial.

Criticando à toa. Minha opinião de pouco importa: as revistas, muito bem feitas aliás, vendem mais do que banana em fim de feira e o mulherio todo, do Oiapoque ao Chuí, lê e curte de montão todas aquelas fotos lindas e as informações que seus ídolos consentem em tornar públicas. Uma gracinha a Juliana Paes dizer que o “peitinho caiu um pouquinho com a amamentação”. Não é mesmo fofo?

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2011 está no fim e o que nos espera logo ali, no início de 2012???? Mais uma edição do Big Brother Brasil, aquela baixaria da última categoria, que faz o povão delirar e enche as burras da Globo, do Boninho e do Bial. Nessa ordem, por favor.

O povão delira com Fina Estampa, que na minha novela paralela do Facebook – vista diariamente por enorme e participativa audiência – é conhecida como Fim da Estampa, e o texto paupérrimo de Aguinaldo Silva bate recorde de audiência no horário.

O ano está no fim, 2012 vai chegar, não vou pode ir a Paris ou mesmo a Búzios curtir minhas férias. Trabalho, trabalho, não saio do mesmo lugar e - helàs! - não virei celebridade.

Todavia, não perco a esperança. Sou otimista de nascença. Tenho certeza que em 2012 alguém vai me chamar – e pagar - para fazer presença vip em pelo menos duas inaugurações de sapatarias em shoppings – o programa da hora que reúne celebretes e socialites dos mais variados calibres. Já é uma. Prometo "causar”!                                                                  

Animada com essa perspectiva de sair do anonimato e ainda faturar algum, já vou botar o champagne pra gelar. Vai rolar a festa aqui no apê.

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De volta ao mundo real: feliz Ano Novo para todos nós. Muita luz e muita paz.