BNDES insiste na formação de grandes empresas

Objetivo seria criar uma giganteda aviação

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) insiste na política de formação de grandes empresas que possam ter projeção e participação no mercado internacional.  Esses investimentos vem apresentando pouca eficácia, mas mesmo assim o banco insiste nessa estratégia. O alvo da vez é a companhia aérea Azul que poderá receber recursos para comprar a portuguesa Tap e a americana Jet Blue. As três empresas formariam uma grande voadora para atuar no mercado mundial.

Essa estratégia do BNDES apresentou resultados insatisfatórios sem que os conglomerados que receberam os recursos tenha adquirido porte necessário para entrar em disputas com outros gigantes internacionais. O Grupo de Eike Batista foi um dos clientes privilegiados do banco e hoje as empresas “X” derretem no mercado perdendo valor diariamente. Outro exemplo foi o grupo Marfrig que recebeu recursos para se tornar um "player" mundial na área de alimentos. Recentemente, a empresa teve que se desfazer de ativos para honrar suas dívida e ao invés de aumentar de tamanho, acabou encolhendo.

Ao sinalizar que poderá investir na Azul, o BNDES retoma a política de formação de grandes conglomerados podendo arriscar a aplicação de recursos num negócio que pode não dar certo. O setor de transporte aéreo vem passando por dificuldades desde 2008 quando estourou a crise nos Estados Unidos e as vendas de passagens aéreas tiveram uma redução considerável. O BNDES entraria com parte dos recursos para que a Azul venha a adquirir a Tap e a Jet Blue, sendo que essa última foi a embrionária da companhia brasileira.

O dono da Azul, David Neeleman, foi dono da Jet Blue mas acabou saindo do comando da empresa. Em valores de mercado, a companhia vale hoje cerca de US$ 1,7 bilhão e a Tap poderia ser vendida por cerca de US$ 1,5 bilhão. Nessa conta, o BNDES entraria como sócio com 20% de participação no negócio. Como a aquisição da empresa americana teria que ser feita por meio de oferta hostil (compra de ações livremente no mercado até atingir o controle acionário da empresa) esses valores poderão sofrer um acréscimo considerável fazendo com que o BNDES desembolse cerca de US$ 600 milhões a US$ 1,6 bilhão.

Na contra mão das estratégias internacionais de investimento, o BNDES coloca de lado várias outras empresas de menor porte que poderiam receber recursos e gerar novos investimentos no país e até mesmo no exterior. Os conhecidos mega-conglomerados hoje em dia são vistos com reserva diante da rapidez com que são feitas mudanças no mercado global e a agilidade necessária para se reverter situações e resultados negativos.