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País - Eleições 2018

Em Minas, Pimentel cola campanha em Lula

Candidato a reeleição, em 2º lugar nas pesquisas, aposta na virada

Jornal do Brasil REBECA LETIERI, rebeca.letieri@jb.com.br

O candidato ao governo de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), disse, em entrevista ao JORNAL DO BRASIL, que sua campanha será ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso desde abril em Curitiba. “Eu quero terminar os programas da minha campanha, com ou sem Lula candidato, metendo o carão e dizendo assim: 13 é Lula, Lula é 13”, afirmou.

Pimentel está em segundo lugar, com 20%, nas pesquisas de intenção de voto, de acordo com a última divulgação do Datafolha, na terça-feira. Ele está atrás do candidato do PSDB, Antonio Anastasia, que tem 29%. Mesmo assim, acredita que, com a campanha, irá crescer ao lado de Lula e da ex-presidente Dilma Rousseff, que lidera, com 25%, as pesquisas para o Senado em Minas.

Macaque in the trees
Pimentel diz que não está preocupado e não poupa críticas às gestões do PSDB

“Tem seis candidatos contando comigo. E apenas um é o candidato do Lula, da Dilma, do povo. Eu não estou tão preocupado. O Lula, em Minas, tem 38%. O Aécio não existe e o [candidato do PSDB, Geraldo] Alckmin só tem 5%. Eles já bateram no teto deles. A campanha nem começou. Eu estou no piso”, disse Pimentel, com otimismo.

O petista foi prefeito de Belo Horizonte, ministro do Desenvolvimento no governo Dilma e eleito, em 2014, governador de Minas Gerais, quando teve que lidar com a situação de crise financeira e política que assolava o país e o estado.

O candidato não poupou críticas a seu adversário e ao PSDB. Como governador, Pimentel criou os chamados fóruns regionais, que dividiu Minas em 17 Territórios de Desenvolvimento, separados por suas individualidades. Minas tem 853 municípios e o tamanho da França. Em cada um desses territórios, foi instalado um Fórum Regional, com reuniões presenciais com a intenção de contribuir continuamente para o planejamento das ações de governo. “Os tucanos fizeram obras e não melhoraram um centímetro na vida de ninguém”, atacou os governos anteriores comandados por Aécio Neves e o próprio Anastasia, que está novamente na disputa pelo cargo.

Macaque in the trees
Petista vê abuso na cidade administrativa criada por Aécio, que custou R$ 12 bilhões

Na entrevista, o governador petista falou sobre a campanha, seu governo, e apresentou o que ele acredita ser a solução para o estado mineiro.

PREVIDÊNCIA: “Se nós pegarmos o orçamento fiscal de Minas, ele é superavitário tirando a Previdência pública. No ano passado, daria para pagar todas as despesas, a folha de ativos, os duodécimos do judiciário, etc, e sobraria R$ 8 bilhões para fazer qualquer coisa. Mas tem a Previdência. A gente arrecada R$ 6 bilhões de contribuição e pagamos R$ 22 bilhões em folha de inativos. Então é 6 para 22. Portanto, está faltando 16. Eu pego R$ 8 bilhões de superavit, e ainda fica faltando R$ 8 bilhões, que é o déficit do estado. O Itamar tinha criado um fundo em 2003, mas quando chegou em 2013, o Anastasia acabou com ele. O déficit foi aumentando. O número de aposentados foi aumentando. A nossa folha é de 600 mil inscritos. E aparece, todo ano, 15 mil a mais. Se você colocar mais 2% em progressões de carreira, etc, dá para dizer que, sem fazer nada, a folha do estado aumenta 7% ao ano. Esse é um problema gravíssimo”.

A CIRURGIA: “A aspirina é o seguinte: todo ano o estado arruma um jeito de produzir receitas extraordinárias e cobre, se não todo, uma parte desse rombo. Quando o Anastasia pegou o dinheiro do fundo, era para isso. No ano passado, nós não conseguimos produzir receita extraordinária. Resultado: viramos o ano sem conseguir acabar com o déficit. O drama voltou. Essa aspirina não vai resolver. Tem que fazer uma cirurgia. O problema de fundo tem ser discutido com a sociedade. Está errado. Você não pode usar o imposto para pagar salário de aposentado do estado. Isso tem que sair da Constituição e vários fundos têm que ser criados para cada estado. Dá tempo de corrigir”.

CONSTITUINTE: “Quem for eleito tem que chamar uma constituinte exclusiva. E aí nós vamos discutir o fundo da Previdência.”

LULA/HADDAD: “Se eles deixarem eu votar no Lula... Mas acho que eles não vão deixar. A transferência de voto do Lula para o [ex-prefeito Fernando] Haddad vai dar certo e se dará em questão de horas. Eles deram um golpe de estado, prenderam o maior líder popular desse país, sem justificativa nenhuma – é um absurdo jurídico – e agora eles vão entregar a eleição para gente? Eu tenho medo disso. Fico pensando que eles vão fazer alguma coisa. São etapas: a de hoje é colocar o Alckmin no segundo turno. Se tirar o [candidato do PSL Jair] Bolsonaro...”

TUCANOS: “O Anastasia tem recall. Vou contar o que eles fizeram e vou contar o que nós fizemos. Ninguém está falando de presidente. Só eu falei. O aliado do Alckmin é o Anastasia, que não fala dele. Eu vou explorar que ele é “pau mandado” do Aécio, como sempre foi. Os tucanos fizeram uma cidade administrativa que custou R$ 2 bilhões e é completamente disfuncional. Fizeram um centro de convenções em São João Del Rei, que custou R$ 180 milhões na época. Cabem mil pessoas e nunca foi usado. Nós tentamos passar para prefeitura e eles não querem. É inútil. Os tucanos fizeram obras e não melhoraram um centímetro na vida de ninguém”.



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