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Livro de Dirceu vai virar filme e documentário

Primeiro volume de memórias de ex-ministro será apresentado hoje, em coletiva em Brasília

Jornal do Brasil YACI NUNES, Especial para o JB

Um longa-metragem, com a participação de atores famosos, e um documentário serão produzidos com base no primeiro volume de Memórias-José Dirceu. O livro será apresentado aos jornalistas hoje, em coletiva na sede do Sindicato dos Bancários, em Brasília, e o lançamento será dia 4 de setembro, no Circo Voador, no Rio.

Macaque in the trees
Capa do livro de José Dirceu (Foto: Reprodução)

As 554 páginas da obra foram liberadas pelo editora Geração Editorial no domingo. Apesar de revelar algumas mágoas, por questões partidárias internas, com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dirceu afirma que “ele era o Senhor Presidente”, que “soube, como ninguém, presidir, liderar seu gabinete, os ministros do Palácio , o Conselho Político”. Lula “sabia ouvir, buscar consenso. Nunca duvidei de uma decisão sua, mesmo quando não concordava”, diz.

O ex-presidente recebeu ontem, na sede da Polícia Federal em Curitiba, por meio de seus advogados, um exemplar com as revelações inéditas sobre a vida do ex-presidente nacional do PT e histórias dos bastidores da política brasileira. Embora preocupado com a “atual crise política “ no país e a posição de destaque, nas pesquisas, do capitão do Exército Jair Bolsonaro, de “ ideias direitistas” , o ex-líder estudantil aposta na ida de Fernando Haddad (PT) para o segundo turno, e na possibilidade de uma aliança entre os partidos de oposição. “Bolsonaro é o candidato das elites, na impossibilidade de Geraldo Alckmin e Henrique Meirelles terem a preferência dos votos, mas Lula, preso injustamente, continua na liderança”, diz o ex-ministro.

Segundo deputado federal mais votado em São Paulo, nas eleições de 2002 , e coordenador das Diretas Já, em 1983 e 1984, Dirceu revela detalhes da cassação de seu mandato de deputado federal, em 2005. “Fui cassado sem provas, no dia primeiro de dezembro de 2005, por 293 contra 192 votos”, lembra ele. “O principal acusador foi Roberto Jefferson”, continua. “Tudo começou com uma reportagem da Revista Veja, com fitas gravadas, implicando um diretor dos Correios, Maurício Marinho, aliado ao Roberto Jefferson e por ele indicado para o posto”.

O presidente nacional do PTB na época era José Carlos Martinez, dono de uma cadeia de TV no Paraná. “Ele era o verdadeiro interlocutor”, lembra Dirceu. “Jefferson nunca me perdoou por tratá-lo à distância”.

Depois da cassação, Dirceu ficou sozinho “dentro do PT”, mas reconhece que amigos como Lucy e Luis Carlos Barreto, Antonio Grassi, Vladimir Palmeira, Benedita da Silva, Martha e Eduardo Suplicy (de quem se aproximou em reuniões no apartamento de Márcio Moreira Alves), José Genoíno, Cândido Mendes e Fernando Morais, entre outros, lhe deram apoio.

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José Dirceu ergue o punho cerrado ao ser preso pela primeira vez, condenado no Mensalão (Foto: 15.11.2013/Alex Silva/AE)

 

A união da família, a mulher, Simone Tristão (que digitalizou os manuscritos recolhidos na cadeia), a filha de sete anos e meio, Maria Antônia, os filhos mais velhos, Zeca Dirceu, Joana e Camilla, as ex-esposas Clara Becker, Ângela e Maria Rita, irmãos, sobrinhos, tudo, segundo Dirceu, “foi fundamental para que o sonho de contar tudo pudesse ser concluído.

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Lançamentos em 20 estados

Condenado, pelo Mensalão e na Lava Jato, a 31 anos de penas somadas, José Dirceu aguarda recursos em liberdade, por decisão do Supremo Tribunal Federal. Por orientação do editor Luiz Fernando Emediato e de amigos, ele fará lançamentos em 20 estados brasileiros. Ficará 10 dias no Rio de Janeiro, a partir do dia primeiro de setembro (hospedado na casa de amigos cariocas ) e depois percorrerá o Sudeste, Nordeste, Norte, Centro Oeste e Sul. “A última parada será no Rio Grande do Sul, terra de Getúlio”, conta Dirceu.

Emediato informa ainda que, embora não tenha chegado às livrarias, a primeira edição já está praticamente vendida, por meio de encomendas feitas por leitores. “Ele é um personagem perfeito, épico, controvertido. Começa em Passa Quatro. Minas Gerais. Sai dali aos 14 anos, vai para São Paulo, entra no movimento estudantil, leva uma vida romanesca, com casos de amor, articulações políticas, conspirações, erros, angústias, incertezas”.

No livro, o pisciano José Dirceu, nascido em 16 de março de 1946, conta que ganhou o nome de São José (cuja data é 19 de março ), e o Dirceu foi homenagem a um amigo dos pais, Olga e Castorino. “Nascer em Minas é um privilégio, em Gerais, um destino”, assim começa o capítulo no qual o ex-ministro revela que aos 12 anos “virou homem”, e que começou a namorar e a dançar ao som de Nat King Cole, Ray Conniff e Elvis Presley. Aprendeu a datilografia e “a se preparar para o destino dos adolescentes de Passa Quatro”, de estudar e viver por conta própria, “aos 14 anos, em São Paulo”.

Entre as personalidades históricas que ficaram no coração de Dirceu, destaca-se, entre outros, Fidel Castro, que teve o primeiro contato com ex-ministro quando o recebeu entre os brasileiros libertados em troca do embaixador americano Charles Elbrick, sequestrado no início de setembro de 1969. “Fidel me impressionou pelo carisma, simpatia e juventude”. Após submeter-se a uma plástica no nariz em Havana, para mudar de identidade e voltar ao Brasil como Carlos Henrique, em 1971, Dirceu voltou à capital cubana em 1979, para desfazer a cirurgia e retornar ao Brasil, com a anistia, com a própria identidade. Chico Buarque também passou pela vida de Dirceu. “Meus pais e irmãos pediram ao Ayrton Soares, deputado federal pelo PMDB, que enviasse a Cuba uma mensagem de minha família. Ayrton pediu ao Chico Buarque (que foi pela primeira vez a Havana em 1978) que me entregasse o bilhete. Sempre gostei do Chico e jamais esquecerei”. 

 



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