O Brasil que nos salva 

Animado, de verdade, anda o Sírio-Libanês em São Paulo. Nem parece hospital. Nosso Lula, já curado e de camisa vermelha, não sai de lá. Faz sua fisioterapia e, enquanto trabalha pra deixar a voz nos trinques, em ponto de bala para a nova saison eleitoral, visita o Sarney, que recupera-se bem de seus problemas cardíacos. O vice-presidente Temer esteve lá, de visita; Garibaldi Alves também. Só faltou Dona Dilma. De repente, ainda vai no fim de semana. O Sarney é o Sarney, goza do maior prestígio, né, não? Como bem lembrou minha amiga e colega Ester Lima, em seu Facebook, o hospital está parecendo que virou sede do Instituto Lula da Silva. Tudo muito bom, tudo muito bem, desejo de coração que ambos fiquem curadíssimos e numa boa, mas não posso deixar de perguntar: e os demais doentes? O Sírio vira aquela festa, um entra-e-sai de dar gosto, e os coitados como ficam? Cadê o sossego e a privacidade a que têm direito?

Espero que não fiquem como a  imensa maioria de brasileiros desvalidos e devolvidos pelos SUS da vida pra morrer em casa ou em macas que ficam estacionadas nas emergências dos hospitais que, de um modo geral, quase nada têm a oferecer. Aliás, não é só o SUS. Quantos de nós, que pagamos aquelas fortunas aos planos de saúde, passamos por maus bocados também?

Lula e Sarney têm sorte. Não apenas podem se tratar no Sírio – e a qualquer espirro as autoridades desse país, todas elas, correm pra lá – como ainda se dão o luxo de conspirar contra a CPI do Cachoeira, que, se levada a sério, pode ser devastadora para vários coleguinhas das Excelências. Coisa de fazer baixar no hospital muita gente boa.

É um espanto este país. A cada dia fico mais perplexa e, a cada eleição que se aproxima, mais apavorada. O que será que ainda vem por aí?

Piedade, Senhor!

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Ando encantada com “Avenida Brasil”, apesar daquela abominável música de abertura. O que é aquilo? Deve ser o tal namoro com a classe C.

Não precisava. A suburbanada criada pelo talento de João Emanuel Carneiro está perfeita: modelitos, comportamento, tom de voz, o décor, tudo perfeito. E o destaque absoluto da turma é o Leleco de Marcos Caruso. Impressionante a desenvoltura do ator. Li que ele passou uns dias em Santíssimo e fez laboratório. Está perfeito, bem como sua mulher, com o hilário nome de Muricy, defendida com o brilho costumeiro por Eliane Giardini.

É uma turma talentosíssima – além da Adriana Esteves, já cantada em prosa e verso por todos os críticos - Vera Holtz e Zé de Abreu dão show à parte. Muito bom. Mesmo que seja dirigida à classe C, “Avenida Brasil” é um prêmio para qualquer classe social. Ainda mais quando vem sucedendo aquele horror que foi “Fina Estampa” – Fim da Estampa pra minha turma.

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Na minha modesta opinião, hoje em dia, na TV, não há cabeça mais brilhante do que a de Miguel Falabella. O cara é genial! Estou, como muita gente boa, me sentindo órfã desde o final de “Aquele Beijo”, uma deliciosa novela, com representações impecáveis, diálogos ricos, muito humor e ainda a narração charmosíssima do autor. Miguel trabalha cercado de gente muito boa – como o polivalente Flávio Marinho, velho e querido amigo, que me fazia procurar seus rastros na trama, geralmente com sucesso. A música do casamento de Claudia com Vicente foi a mesma da união de Maria com o Capitão Von Trapp em “A Noviça Rebelde”. Flávio é um fanzoco de Julie Andrews, a inesquecível Maria.

Já estou sentindo muita falta da novela. Especialmente da Mãe Iara de Claudia Jimenez, um espetáculo, e da gracinha que foi a protagonista Claudia, a quem Giovanna Antonelli emprestou toda a sua graça. Como disse um crítico do blog “Apanhado geral”, Giovanna Antonelli é a nossa Julia Roberts.

Assino embaixo.

E, de quebra, desejo muito boa sorte a “Cheias de Charme”, que já está agradando em cheio.

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O Brasil da ficção dá de dez no Brasil da vida real. É triste, mas é a mais pura verdade.