Jornal do Brasil

Domingo, 28 de Maio de 2017

Rio

Líder dos garis culpa influência política por irregularidades durante greve

Reajuste alcançado está fora do considerado justo pela categoria, diz Alexandre Pais

Jornal do BrasilStefano Miranda *

Na noite da última sexta-feira (20), chegou ao fim, após oito dias, a greve dos garis da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb), do Rio de Janeiro. A decisão saiu após quatro horas de reunião no Ministério Público do Trabalho (MPT). Ficou determinado que os trabalhadores vão receber 8% de aumento salarial, auxílio-funeral de R$ 800 e vale-alimentação de R$ 20.

Na manhã deste sábado (21), o Jornal do Brasil conversou com um dos líderes do movimento de paralisação dos trabalhadores, Alexandre Pais. Segundo ele, o movimento acabou cometendo erros, devido à interferência do sindicato, que enxergou a greve como uma oportunidade de manobra política, graças ao período de eleições sindicais.

“Nós perdemos a batalha, a guerra não. Nós tivemos o apoio do sindicato, e mesmo com o apoio deles tivemos problemas, por intransigência de dois garis que, de olho na eleição sindical, conseguiram convencer os demais a não respeitar as 72 horas de aviso prévio. O sindicato avisou os dois desse prazo, mas como estamos em tempos de eleição, eles resolveram unir o útil ao agradável. A grande maioria dos trabalhadores não estava querendo saber dessa eleição, queríamos o que é nosso direito, apenas isso”, criticou Alexandre.

O gari comentou ainda que haviam dois partidos políticos articulando toda a movimentação junto ao sindicato, o que ele acredita que tenha dificultando também a negociação com o prefeito Eduardo Paes. “Ao contrário do sindicato, nós não precisamos de bandeira de partido nos dizendo o que fazer. Tanto é que no ano passado fizemos tudo certinho e conseguimos o aumento almejado pela categoria (os garis entraram em greve logo após o carnaval de 2014). A intenção desses partidos envolvidos era bater no prefeito, a nossa não. Nossa intenção sempre foi chegar pra negociar com ele, com o único intuito de atingirmos os nossos objetivos”, explicou.

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Alexandre fez questão de deixar claro que o valor alcançado está longe do que eles almejam e consideram justo. Além disso, ele questionou também o fato de que os 8%, valor que foi estipulado na sexta-feira (20) e decretou o fim da greve, já havia sido oferecido durante uma reunião na quarta-feira (18) e foi negado.

“Os valores realmente não foram o que esperávamos, nós queríamos mais. Recebemos 8% de aumento salarial, sem aumento no ticket, e um auxilio funeral de R$ 800. Isso parece uma afronta. O que foi muito estranho é que durante as reuniões de quarta-feira foi oferecido esse valor acordado. A minha dúvida é qual a necessidade de manter uma greve por mais dois dias sendo que o valor acertado já tinha sido oferecido na quarta. Tudo por causa de política, para manter os nomes no ar”, comentou o gari.

O Jornal do Brasil tentou contato com o Sindicato de Asseio e Conservação do Rio de Janeiro, mas até o momento do fechamento desta reportagem não havia obtido resposta.

Após a determinação do fim da greve, será realizada uma audiência de conciliação na sede do TRT. Nessa audiência serão tratados os detalhes jurídicos da paralisação, entre eles, como será feita a reposição dos dias perdidos de trabalho. Essa foi uma das preocupações apontadas por Alexandre. Segundo ele informou à reportagem do JB, o abono é um direito de greve, mas, devido às irregularidades, ele não sabe como isso vai ser tratado.

“O que mais preocupa é que, com esses dias da greve, ficou em duvida se eles serão abonados ou não do nosso pagamento. Esse é um direito de greve, mas infelizmente essas regras foram quebradas devido ao momento político do sindicato, o que prejudicou a briga dos trabalhadores. Nossa única vitória foi manter o trabalho de todos, e voltarmos ao serviço sem sofremos retaliações”. Encerrou Alexandre Pais.

Caso os valores propostos não fossem aceitos, a greve iria a julgamento no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) na próxima segunda-feira (23), e corria o risco de ser considerada abusiva pelo fato dos trabalhadores não terem respeitado o prazo de 72 horas para iniciar a paralisação após comunicar a empresa, determinado por lei.

Greve em 2014 teve apoio popular

Durante o carnaval de 2014, os garis fizeram uma greve que chamou a atenção de todos devido ao mau cheiro e às montanhas de lixo espalhadas pela cidade. Na ocasião, a paralisação teve o apoio da população, ao contrário do que era esperado pelo poder público. Após um longo e cansativo período de negociações, os garis conseguiram um aumento salarial de 44%, muito acima dos 8% atingidos neste ano.

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Tags: erros, falha, gari, greve, Limpeza

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