Jornal do Brasil

Domingo, 26 de Março de 2017

Rio

Prefeito Eduardo Paes pretende fundir OSB com Opes

Orquestra Petrobras Sinfônica não quer união entre os grupos

Jornal do BrasilÍris Marini

Depois de a prefeitura do Rio de Janeiro suspender o apoio de R$ 8 milhões à Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), Eduardo Paes declarou nesta terça-feira (30) que pretende fundir a OSB com a Orquestra Petrobras Sinfônica (Opes).“Nesse mundo da música erudita, da música clássica e da instrumental, os R$ 40 milhões parece que são poucos. Se tem a possibilidade de juntar esses esforços por que não?”, questiona.

“Eu tenho defendido há muito tempo que estas orquestras se integrem, [formando uma só] e tenham um orçamento, de fato, volumoso, que as permita ter uma projeção que uma cidade como o Rio de Janeiro merece”, afirmou o prefeito, após nova reunião com o Comitê Olímpico Internacional (COI), na sede da Empresa Municipal Olímpica.

Paes disse ainda que a “discussão” sobre a orquestra “nunca” ocorre quando a prefeitura propõe à OSB e que haveria “vaidade” entre os grupos que “não atendem aos interesses da Cidade”. Além disso, ele afirmou que “os músicos que tocam na OSB e na orquestra da Petrobras são, em muitos casos, os mesmos”, o que foi negado pela Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira (Fosb). A Fosb disse ao Jornal do Brasil ter sido pega de “surpresa” pelas declarações do prefeito.

Orquestra Sinfônica Brasileira perdeu o apoio da prefeitura do Rio de R$ 8 milhões
Orquestra Sinfônica Brasileira perdeu o apoio da prefeitura do Rio de R$ 8 milhões

A Fundação possui duas orquestras e, conforme informado ao JB, “na Orquestra Sinfônica Brasileira, os músicos trabalham em regime de dedicação integral e com exclusividade”. Já os 35 músicos da Ópera e Repertório, segundo a OSB, “não têm regime de exclusividade e apenas sete entre eles atuam também na Opes".

Opes defende a permanência de ambas as orquestras e nega interesse em fusão

Em comunicado ao JB, a Orquestra Petrobras Sinfônica defendeu a existência da OSB e da Opes e diz que não se interessa pela fusão. “A Orquestra Petrobras Sinfônica acredita que o Rio de Janeiro comporta – e merece – muito mais que duas orquestras na cidade. As principais capitais do mundo, como Berlim, Paris e Viena, têm, no mínimo, cinco orquestras. Tóquio, por exemplo, tem 11 grupos sinfônicos. A Orquestra não está interessada em se fundir a outro grupo, por defender a pluralidade artística”, diz o texto.

"Ter uma orquestra única no Rio de Janeiro implicaria também na diminuição da oferta de espetáculos, do mercado de trabalho e da abrangência geográfica dos concertos", diz a Opes, que afirmou "nunca" ter tido o patrocínio da Prefeitura do Rio de Janeiro.

Segundo ela, “seu orçamento anual é composto principalmente pela mantenedora Petrobras, que patrocina a Opes desde 1987, atualmente com R$ 11 milhões anuais”. Como ainda declara o conjunto, “ele é gerido pelos próprios músicos”, contando ainda com os “apoios culturais de: Avianca, Porto Bay Hotels, Fundição Progresso, Winebrands e Rádio MEC FM”, completa.

A Opes conta ainda que nos anos de 2011 e 2012 foi realizado um “convênio” com a Prefeitura para criar o projeto educacional Série Metrônomo, que apresenta concertos para alunos da rede pública de ensino, com investimentos de, respectivamente, R$ 550 mil e R$ 350 mil em cada um dos anos.

Uma proposta à Prefeitura foi enviada pela Opes para manter a parceria em 2013, mas segundo a orquestra, não houve retorno até o momento.

Paes critica gestão da OSB e diz que ela poderia dar mais projeção ao Rio

Questionado sobre a possibilidade da Orquestra Sinfônica Brasileira gerenciar a Cidade das Artes, o prefeito negou a ideia, porém garante que a orquestra terá destaque como atração do local. Paes também se comprometeu a ajudar a OSB, no entanto, se queixa da “projeção” que o grupo dá ao Rio.

“A OSB não é exatamente um exemplo de gestão. A gente vê pelos problemas do passado. Eu vou pegar uma coisa que não consegue gerenciar o seu grupo, para cuidar daquele prédio enorme? Dar a Cidade das Artes para a OSB tocar, eu não acho que é conveniente, agora a OSB tem que ser a âncora da Cidade das Artes. A principal atração da Cidade das Artes permanentemente”, disse ele.

O prefeito pode ter se referido à crise de 2011 com os funcionários, em que a orquestra propôs avaliações de desempenho dos músicos, que se opuseram por temer demissões em massa. Em seguida, 33 componentes da orquestra foram demitidos e depois readmitidos meses após o ocorrido.

“Quero continuar ajudando a OSB. Agora, acho que o dinheiro público tem que ser investido em coisas que de fato deem projeção à cidade. A OSB podia dar mais projeção à cidade”, avalia.

Sem opinar sobre fusão, OSB responde às críticas

Em resposta à crítica do prefeito, a Fosb informou que “o orçamento [de R$ 40 milhões] é compatível com seu nível de excelência e há anos a fundação vem cumprindo com seus compromissos com os funcionários, tendo inclusive aumentado progressivamente os salários dos músicos. Com isso, atrai ótimos novos profissionais, renovando seus quadros”.

A fundação também alegou que “todos os músicos das duas orquestras estão contratados pelo regime de CLT”, o que, segunda ela, “é uma grande exceção, se comparado às demais orquestras brasileiras. Gera um alto custo com pessoal que é, porém, a essência das orquestras”.

O repasse de R$ 8 milhões foi suspenso por meio de uma carta assinada por Paes em 18 de março deste ano. O valor equivale a um quinto do orçamento da OSB, de R$ 40 milhões captado, em sua maioria, por leis de incentivo à cultura, aprovado pelo Ministério da Cultura, que, de acordo com a orquestra, “fiscaliza todas as suas contas”.

“As despesas da Fundação OSB são auditadas por empresa de auditoria externa e aprovadas por conselho fiscal. Essas contas são apresentadas e aprovadas por todos os mantenedores, incluindo a própria Prefeitura do Rio”, argumenta a instituição.

Sobre a reunião que o prefeito disse ter marcado para esta quinta-feira (2) com a sinfônica, o grupo não comentou, nem sobre a fusão. Segundo a OSB, os conselheiros estão reunidos nesta terça para discutir o caso.

 

 

 

 

Tags: cidade das artes, cultura, eduardo paes, orquestra petrobras sinfônica, orquestra sinfônica brasileira, prefeitura do rio

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