Durante solenidade de formatura de 489 alunos do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças, em Sulacap, Zona Oeste do Rio, o governador Sérgio Cabral comentou os recentes conflitos entre moradores de comunidades pacificadas e policiais militares. Para Cabral, o policial precisa entender melhor a realidade e a rotina dos moradores, que, por sua vez, também têm que aprender a aceitar melhor a presença dos policiais nas comunidades.
"Essas comunidades viveram 30, 40 anos sob o domínio do poder paralelo. É normal que exista um problema ou outro. É um processo gradativo de adaptação", afirmou o governador.
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Veja o vídeo publicado no Youtube do conflito entre policiais e moradores do Complexo do Alemão, na noite de domingo:
Nestas quinta e sexta-feiras, será realizado um seminário de avaliação sobre as Unidades de Polícia Pacificadora, informou o comandante das UPPs, coronel Robson Rodrigues, acrescentando que é preciso "colocar a casa em ordem".
Dos 489 praças formados nesta terça-feira, 385 serão deslocados para a UPP da Mangueira, que deve ser implementada dentro de, no máximo, 45 dias. Os 104 restantes vão substituir policiais do interior que estão lotados nas UPPs. Até a inauguração da unidade da Mangueira eles passarão por treinamento em outras comunidades que contam com a base policial.
Conflitos no Alemão e na Cidade de Deus
Em menos de 24 horas, moradores e policiais de unidades de Polícia Pacificadora tiveram um enfrentamento violento. Enquanto no Alemão (Zona Norte), moradores acusam homens da tropa da Força de Pacificação agirem com truculência usando bombas de efeito moral, spray de pimenta e até mesmo armas com balas de borracha, na Cidade de Deus (Zona Oeste), um grupo de cerca de 2 mil pessoas atacaram homens da UPP da comunidade na saída de um baile funk.
No caso da Cidade de Deus, o confronto foi mais grave, deixando o sargento André Luiz atingido por um pedra na cabeça. Ele foi levado para o Hospital da PM, no Estácio. O ataque começou pouco depois da meia-noite, quando centenas de jovens que saíam de um baile funk se concentraram na praça local e começaram a atirar pedras e garrafa em direção à sede da unidade policial.