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Efeito SwissLeaks: bancos suíços irão dificultar a entrada de dinheiro "sujo"

Alguns dos bancos no país estão fechando contas de nomes envolvidos

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“Vai ficar muito mais difícil esconder dinheiro na Suíça”, avaliou o professor de finanças especializado em comércio bancário da Ebape/FGV, Patrick Behr, sobre as consequências do escândalo do SwissLeaks. Segundo ele, o caso trouxe maior rigor para os bancos suíços, levando ao fechamento de contas alimentadas com dinheiro sujo no país. “Os bancos, tanto o HSBC, como o UBS, o Credit Suisse, já vêm fechando algumas contas há algum tempo, desde que ficou conhecido por eles, há cerca de dois anos, o envolvimento com dinheiro sujo”, explicou o professor Patrick Behr. No entanto, o professor lembrou que outros lugares do mundo, como as ilhas caribenhas e Cingapura, são ainda bastante fáceis de esconder dinheiro.

Patrick esclareceu que os correntistas brasileiros do banco HSBC podem ficar despreocupados. O escândalo na Suíça não irá afetar de forma severa a filial daqui, já que os bancos têm autonomia para funcionar de forma quase independente da sua central. Segundo ele, o público só está sabendo do problema agora, ao contrário dos bancos. “Os governos internacionais já sabem desse caso há cerca de seis anos. Agora isso foi divulgado ao público”, disse Patrick. Quando perguntado sobre o impacto do caso para o valor de mercado do banco, Patrick Behr explicou que “o mercado já sabe disso. Só o público ainda não estava ciente dos nomes. No entanto, desde que a lista com os nomes dos envolvidos foi divulgada, o banco não sofreu baixas na bolsa.”

O professor explicou também que a punição ao banco inglês será o pagamento de multas. No entanto, não deve gerar maiores consequências. De acordo com ele, em 2013 o lucro do banco antes do pagamento dos impostos foi de US$ 22,6 bilhões. “O banco vai ter que pagar multas, alguns funcionários já foram demitidos, no entanto ele é um banco muito forte e eu não vejo grandes problemas para o Brasil”, informou o professor.

A recente operação batizada de "SwissLeaks" revelou o lado obscuro da fraude fiscal. Informações sobre milhares de contas escondidas no banco britânico HSBC foram vazadas pelo ex-funcionário Hervé Falciani. Quase 180 bilhões de dólares teriam transitado por mais de 100 mil contas do banco em Genebra, na Suíça. Os dados foram analisados por 154 repórteres de 47 países e correspondem ao período que vai de 2005 a 2007.

O ex-funcionário fugiu para a França com os dados e as listas de nomes. Em 2009, Hervé foi cercado pela polícia francesa e teve seu computador apreendido, revelando todo o esquema de lavagem de dinheiro do banco inglês na Suíça. Ao total, cerca de 130 mil nomes foram divulgados.

Só o governo venezuelano do falecido ex-presidente Hugo Chávez depositou US$ 12 bilhões em quatro contas bancárias do HSBC naquele período, segundo o Swissleaks. Um primo do presidente sírio Bashar al-Assad, Rami Makhoul, mantinha US$ 15 milhões em sua conta. Outros nomes que aparecem são os dos reis Mohamed VI de Marrocos e Abdullah II da Jordânia. 

O Brasil surge em nono na lista de clientes com contas escondidas. O banco teria ajudado mais de 8,7 mil brasileiros a depositar cerca de US$ 7 bilhões nas contas secretas.

>> SwissLeaks e o histórico de envio de dinheiro pelo mundo

*Do Programa de Estágio do JB