Sabe a maçã que você compra no supermercado ou sacolão perto de sua casa? Saiba que é possível que ela seja de uma cidade específica do Brasil. Nela, há a maior produção dessa fruta em todo o país. Inclusive, em 2024, segundo dados da PAM (Produção Agrícola Municipal), divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2025, foram colhidas 250 mil toneladas do alimento naquele ano. E a tendência é que esse número continue subindo. O protagonismo pertence a São Joaquim, município localizado na Serra Catarinense.
Segundo a Associação dos Produtores de Maçã e Pêra de SC, só em um mês, janeiro de 2026, 185.115 toneladas de maçã Fuji no município. Na na safra de 2025/2026, a expectativa é chegar a cerca de 370 mil toneladas.
Como o frio virou vantagem econômica
A explicação para essa concentração produtiva está menos relacionada ao tamanho territorial e mais às condições ambientais específicas. As macieiras dependem de longos períodos de baixas temperaturas para completar adequadamente seu ciclo biológico. Em São Joaquim, a combinação entre altitude elevada e inverno prolongado cria um ambiente favorável para estimular floração, uniformidade produtiva e qualidade dos frutos.
Esse mecanismo cria uma consequência econômica direta: regiões frias, que muitas vezes possuem limitações para determinadas culturas agrícolas, conseguem desenvolver cadeias produtivas altamente especializadas. Na prática, o frio deixa de ser obstáculo e passa a funcionar como ativo produtivo.
Produção de maçãs movimenta uma cadeia econômica complexa
A produção em larga escala exige uma estrutura que vai muito além do plantio. Cooperativas, viveiros, centros de armazenamento, transportadoras, classificação de frutas e mão de obra especializada fazem parte do sistema que sustenta a liderança regional. Isso significa que o impacto econômico ultrapassa propriedades rurais e se espalha por diversos segmentos da economia local.
Outro elemento importante está no armazenamento. Como a colheita ocorre em períodos específicos do ano, produtores dependem de estruturas de conservação para ampliar a disponibilidade da fruta ao longo dos meses. O uso de câmaras frias e sistemas de atmosfera controlada permite reduzir perdas e estabilizar o fornecimento ao mercado consumidor.





