Uma área maior do que toda a Região Metropolitana de São Paulo, mais de 800 quilômetros de estradas internas, cerca de mil moradores e produção suficiente para abastecer mercados na China e na Europa. Tudo isso dentro de uma única propriedade rural no interior do Mato Grosso.
A Fazenda Roncador, em Querência, é considerada uma das maiores propriedades rurais do Brasil e virou símbolo de um novo modelo do agronegócio: produtivo, tecnológico e estruturado em escala industrial. Da primeira à última lavoura, a distância percorrida é de 120 quilômetros. Só do centro da cidade até a sede da administração são 64 quilômetros de estrada de terra.
Uma cidade dentro da fazenda
Quem chega a Roncador pela primeira vez estranha. A propriedade tem escola, supermercado, igreja, quadra de esportes, clínica odontológica e até uma estação de tratamento de esgoto. Cerca de mil pessoas vivem no local, compondo uma comunidade com infraestrutura completa de serviços.
Guilherme Alves da Silva, gerente da fazenda, a equipara a uma prefeitura, com autossuficiência e gestão interna. “Tem mais de 800 quilômetros de estradas aqui dentro, que a gente cuida com o nosso maquinário próprio”, disse.
Além das estradas, a fazenda conta com um aeroporto próprio, o que garante eficiência no transporte e no escoamento da produção.
Os números da produção
Só em 2019, a produção chegou a 5.200 toneladas de carne e mais de 166 mil toneladas de soja. Esses resultados decorrem de um modelo que combina lavoura e pecuária na mesma área. O sistema, chamado de “integração lavoura-pecuária”, permite colher até três safras por ano em algumas áreas da propriedade: uma de soja, outra de milho e outra de carne.
A fazenda pertence ao Grupo Roncador, fundado em 1978 pelo engenheiro civil Pelerson Soares Penido. O que começou com 24 mil hectares dedicados à pecuária extensiva virou uma operação de 152 mil hectares com gestão profissional, monitoramento por satélite e tratores conectados à internet.
Crescimento sem derrubar uma única árvore
Um dos pontos que mais chamam a atenção na Roncador é o histórico ambiental. Quase metade da fazenda, exatamente 47%, é composta por floresta nativa e por áreas de proteção permanente. A propriedade não apenas mantém essas áreas, como também promove seu crescimento por meio de um viveiro que produz espécies nativas.
O gerente Silva afirma que a fazenda não derrubou sequer uma árvore nos últimos dez anos e que, mesmo assim, a produção de alimentos cresceu nesse período. Para ele, abrir novas áreas não é o caminho: “Tem que ter aporte financeiro para adquirir equipamentos mais eficientes e investir na inteligência do negócio para ser mais competitivo.”
A Roncador foi a primeira fazenda do Brasil a receber um financiamento do fundo europeu “&Green“, voltado à proteção de florestas tropicais, por meio de um empréstimo de US$ 10 milhões, a uma taxa anual de 2,95%, bem abaixo das praticadas no mercado brasileiro. O acordo veio acompanhado do compromisso de desmatamento zero.





