Apesar de a construção de residências inspiradas em palácios europeus não ser uma novidade no Brasil, projetos de grande escala desse tipo seguem chamando atenção no país por combinarem arquitetura monumental, referência histórica e forte impacto visual. Nesse cenário, na cidade de Cachoeira do Sul, no interior do Rio Grande do Sul, uma mansão inspirada em um château francês se tornou exemplo desse tipo de empreendimento, ao reunir elementos clássicos da arquitetura de um castelo em uma estrutura residencial de grande porte.
O projeto, idealizado pelo fotógrafo Igor Ache ao lado do marido, Gabriel Arendt, foi concebido a partir de uma viagem a Paris e levou cerca de cinco anos para ser concluído, além de ter sido transformado em uma série de vídeos que já soma dezenas de episódios e ampla repercussão online.
A construção, conhecida nas redes como “Casa Francesa”, não se destaca apenas pela fachada que remete a um château europeu, mas principalmente pelo nível de detalhamento aplicado em áreas internas. O projeto combina pintura manual, referências à história da arte e peças garimpadas ao longo de anos, criando uma proposta que mistura arquitetura, decoração e curadoria artística dentro de um mesmo espaço.
Projeto combina arte clássica, garimpo e produção artesanal
Dentro da residência, um dos ambientes que mais chama atenção é um lavabo inteiramente pintado à mão pela artista plástica Marina Crapanzani. O teto recebeu ilustrações com céu, figuras angelicais e elementos inspirados em composições clássicas, enquanto as paredes trazem releituras de obras históricas, criando uma atmosfera que remete a interiores de estética renascentista.
A proposta do espaço inclui ainda referências diretas a obras consagradas da história da arte, incorporadas ao projeto como parte da ambientação. Segundo o idealizador, a intenção sempre foi construir um ambiente em que arte e arquitetura se conectassem de forma contínua, tanto na parte externa quanto no interior da casa.
Na prática, o resultado é um imóvel que não depende apenas de decoração convencional, mas de intervenções artísticas feitas sob medida, muitas delas executadas diretamente nas superfícies da casa.
Escadaria artística reúne referências de diferentes períodos
Outro elemento central do projeto é a escadaria de grandes proporções, que recebeu pintura artística com mais de oito metros de altura. A composição reúne referências de diferentes fases da história da arte, em uma espécie de releitura visual que atravessa estilos e períodos distintos.
A ideia, segundo o responsável pelo projeto, foi transformar o espaço em uma narrativa visual contínua, em que cada elemento contribui para uma leitura única da escadaria como obra de arte integrada à arquitetura.
Esse tipo de intervenção reforça uma tendência crescente em projetos residenciais de alto detalhamento: a fusão entre construção e instalação artística, onde a casa deixa de ser apenas estrutura funcional e passa a operar também como suporte de expressão criativa.
Decoração é resultado de anos de garimpo e curadoria
Diferente de projetos convencionais de interiores, a casa não foi montada de forma imediata ou baseada em compras únicas. A decoração foi sendo construída ao longo de aproximadamente três anos, com peças adquiridas em antiquários, leilões e até resgates de imóveis antigos que seriam demolidos.
Esse processo de curadoria fez com que cada objeto incorporado ao projeto tivesse um papel específico dentro da composição geral, funcionando como parte de uma narrativa estética mais ampla. A lógica, nesse caso, não é apenas decorar, mas construir uma continuidade visual entre peças de origens diferentes.
Segundo o idealizador, o objetivo é que todos os elementos “conversem” entre si dentro do espaço, evitando a sensação de composição aleatória e reforçando a unidade estética da residência.
Casa foi pensada para causar impacto desde a fachada
Além dos detalhes internos, o projeto também foi desenvolvido com foco na primeira impressão visual. A fachada foi planejada para remeter imediatamente à arquitetura francesa, mesmo sem conhecimento prévio do conceito da casa.
A intenção declarada pelo criador era provocar uma sensação de estranhamento estético, quase como uma “imagem fora da realidade”, em que cada detalhe reforça a ideia de construção cenográfica e artística ao mesmo tempo.
Com isso, o projeto ultrapassa o conceito tradicional de residência e passa a se aproximar de uma obra contínua, em que arquitetura, pintura e curadoria se combinam para criar uma experiência visual integrada.





