A Suécia é considerada uma das sociedades mais tecnológicas da Europa. Com isso, nos últimos anos o país tem adotado o ensino digital, no qual os alunos utilizam aperelhos como laptops nas aulas, algo que se tornou padrão por lá desde o final dos anos 2000 e início da década de 2010. No entanto, com o objetivo de reverter a queda nos níveis de compreensão de leitura no país, o governo resolveu voltar a apostar na utilização de lápis e caderno, medida que vem gerando um grande debate interno.
A preocupação não é isolada em relação a queda no nível de compreensão de leitura. O desempenho da Suécia em avaliações internacionais, como o ranking Pisa, o padrão para temas importantes da educação da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), também sofreu oscilações nos últimos anos, especialmente em leitura.
Governo quer reduzir uso de telas nas escolas
A nova diretriz é clara: diminuir ao máximo a exposição às telas, principalmente entre alunos mais jovens. Representantes do governo defendem que o excesso de tecnologia pode prejudicar a concentração e o desenvolvimento de habilidades fundamentais, como leitura e escrita.
Entre as medidas adotadas, estão o maior uso de livros didáticos físicos, incentivo à escrita manual e a redução do uso de dispositivos digitais nas séries iniciais. Além disso, o país também discute restringir o uso de celulares nas escolas, ampliando o controle sobre distrações digitais.
Ciência aponta impactos do excesso de tecnologia
De acordo com uma reportagem da BBC, a mudança não veio apenas por decisão política. Pesquisadores e especialistas têm levantado preocupações sobre os efeitos do uso intenso de telas no aprendizado. Os estudiosos indicam que a leitura em dispositivos digitais pode dificultar a absorção de conteúdo, além de reduzir a capacidade de concentração dos alunos.
Há também alertas sobre possíveis impactos no desenvolvimento cognitivo de crianças mais novas, o que reforçou a pressão por mudanças no sistema educacional.
Investimento bilionário reforça nova estratégia
Para viabilizar a transição, o governo sueco destinou recursos significativos para a compra de livros e materiais físicos. Mais de 2 bilhões de coroas suecas foram direcionadas às escolas para fortalecer o ensino tradicional.
A expectativa é que um novo currículo, com foco maior em materiais impressos, seja consolidado nos próximos anos.
Decisão divide especialistas
Apesar do movimento, a mudança não é consenso. Parte do setor educacional e da indústria de tecnologia alerta que reduzir o ensino digital pode prejudicar a preparação dos estudantes para o mercado de trabalho.
Isso porque habilidades digitais são cada vez mais exigidas profissionalmente, especialmente em um país reconhecido por sua forte presença no setor tecnológico.
Um movimento que pode influenciar outros países
O caso da Suécia expõe um debate global: até que ponto a tecnologia deve dominar o ambiente escolar? Ao dar um passo atrás após anos de digitalização intensa, o país levanta uma discussão relevante e que pode influenciar outros sistemas educacionais ao redor do mundo. No centro dessa mudança está uma conclusão direta: mais tecnologia nem sempre significa melhor aprendizado.





