Os Correios fecharam 2025 com um prejuízo de R$ 8,5 bilhões. A receita bruta da estatal no período foi de R$ 17,3 bilhões, queda de 11% em relação ao ano anterior. O patrimônio líquido encerrou o período no vermelho, em R$ 13,1 bilhões negativos.
Os números foram apresentados nesta quinta-feira (23) pelo presidente da empresa, Emmanoel Rondon, durante o balanço dos primeiros 100 dias do Plano de Reestruturação dos Correios.
Segundo a estatal, o rombo foi causado, principalmente, pelo provisionamento de obrigações judiciais e pelo crescimento dos custos operacionais.
Como a crise foi identificada?
O Plano de Reestruturação foi aprovado em novembro do ano passado, depois que a empresa mapeou a situação financeira e encontrou um patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões e um prejuízo acumulado de R$ 6 bilhões até setembro de 2025. Além dos números no vermelho, os indicadores de qualidade e liquidez também mostravam queda.
Desde então, o plano começou a ser executado em fases. A primeira delas concentrou esforços na reorganização do fluxo de caixa, na regularização das pendências com fornecedores e funcionários terceirizados e na recuperação da previsibilidade financeira.
O que os correios já fizeram para “sair do buraco”?
Como parte da primeira fase do plano, a estatal captou R$ 12 bilhões em crédito junto a um grupo de bancos. O objetivo foi garantir liquidez imediata para quitar dívidas em atraso e retomar a credibilidade com fornecedores e clientes.
Outra medida foi colocar imóveis sem uso operacional em leilão. Com isso, os Correios projetam arrecadar cerca de R$ 1,5 bilhão em receitas extras, além de reduzir gastos com manutenção.
Em janeiro de 2026, a empresa reabriu o Programa de Demissão Voluntária. A expectativa era de que 10 mil funcionários solicitassem o desligamento, mas 3.075 aderiram, o equivalente a 30,7% do público-alvo. Mesmo assim, a projeção é de uma economia de R$ 1,4 bilhão já em 2027.
O plano também prevê o reequilíbrio do plano de saúde dos funcionários, renegociação de passivos judiciais e o fechamento de 16% das agências da rede. Somadas, todas essas frentes devem reduzir as despesas em R$ 5 bilhões até 2028.





