Quase 5 milhões de brasileiros vivem fora do país. Esse é o número mais recente levantado pelo Ministério das Relações Exteriores, com base em dados de 2023, e ele continua crescendo. Mas quem são as pessoas por trás dessa estatística? Especialistas apontam que o perfil de quem decide deixar o Brasil mudou, e essa transformação revela como os brasileiros estão enxergando trabalho, carreira e futuro.
Para Celso Garcia, fundador e CEO do Grupo CI, empresa especializada em intercâmbio e educação internacional, esse movimento trata menos de uma “fuga” e mais de um movimento estratégico para ganhar vantagens no mercado de trabalho.
O grupo é liderado por jovens, mas não é composto apenas por eles
A faixa entre o fim da adolescência e o início da vida adulta segue sendo a principal porta de entrada para experiências internacionais. Cursos de idiomas e programas educacionais ainda concentram boa parte desse público, que tem menos de 35 anos.
Mas para os especialistas, esse cenário vem mudando. Profissionais com mais de 35 anos passaram a buscar o exterior como forma de reposicionamento de carreira, com objetivos como mudar de área ou preencher lacunas específicas, como a fluência em outro idioma.
Segundo dados de levantamentos na área, há ainda um grupo ainda mais velho nessa área: pessoas acima dos 50 e dos 60 anos e até mais velhas, que partem motivadas por autonomia, qualidade de vida e realização pessoal.
Vale ressaltar também que as mulheres são a maioria entre os brasileiros que buscam experiências internacionais. Para Garcia, esse protagonismo feminino reflete tanto uma maior autonomia financeira quanto uma postura mais ativa em relação à própria trajetória profissional das mulheres.
A fluência em outros idiomas segue como principal fator
A fluência em inglês continua sendo a principal motivação declarada por quem parte. No entanto, apesar do interesse no bilíngue continuar alto, o motivo é outro. Para muitos, o idioma não é mais um diferencial, e sim um pré-requisito para não ficar para trás num mercado de trabalho que se tornou progressivamente global.
Junto com o idioma, entram na conta fatores como vivência cultural, acesso a novos mercados e a possibilidade de trabalhar enquanto estuda, o que explica o crescimento de destinos como Irlanda, Austrália e Nova Zelândia entre os brasileiros.
Quais são os países que mais estão recebendo brasileiros?
O Canadá lidera a preferência dos brasileiros desde 2017, segundo o ranking da Belta, associação do setor de intercâmbio. O país apostou em infraestrutura para receber estudantes estrangeiros e mantém uma política de vistos relativamente acessível, o que o colocou na frente de concorrentes tradicionais como Estados Unidos e Reino Unido.
América do Norte e Europa concentram a maior parte dos brasileiros no exterior. Só os Estados Unidos abrigam cerca de 2 milhões de pessoas do país, seguidos por Portugal, que nos últimos anos registrou um crescimento expressivo dessa comunidade.





