RIO - Uma multidão se reuniu na manhã desta sexta-feira no cemitério de Murundu, próximo a Realengo, na Zona Oeste do Rio, para acompanhar o velório e sepultamento de algumas vítimas do atirador Wellington Menezes de Oliveira. Um helicóptero da Polícia Militar jogou pétalas de rosas sobre o cemitério e as pessoas presentes olharam para o ar surpreendidas e emocionadas.
Nesse momento, era realizado o enterro de Laryssa Silva, de 13 anos. "Esse desgraçado destruiu nossa família. Não tem coração. O que ele fez foi horrível", lamentou Jackson da Silva, padrinho de Laryssa.
O secretário de Segurança do Rio, José Mario Beltrame, compareceu ao cemitério, assim como efetivos da polícia. Também estavam presentes os médicos e enfermeiros que participaram do atendimento às vítimas.
Ambulâncias e carros de bombeiros foram enviados aos cemitérios para atender a eventuais emergências durante as cerimônias. Até a madrugada desta sexta, 11 dos 12 corpos dos falecidos foram reconhecidos pelos familiares.
Dez meninas e dois meninos perderam a vida quando Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, que era um ex-aluno da instituição, invadiu o colégio e disparou contra eles. Outras 11 crianças permanecem hospitalizadas em diferentes hospitais e algumas estão em estado grave.
Um vídeo do circuito interno de câmeras da escola mostra alguns momentos do tiroteio: os adolescentes correndo desesperados, caindo ao chão, tentando escapar do atacante, e Wellington saindo para o corredor para recarregar suas armas.
Outra gravação de uma testemunha, postada no YouTube, mostra vários alunos saindo desesperados da escola, em meio a cenas de pânico dos pais aglomerados diante do prédio.
Ex-companheiros de trabalho definiram Wellington como uma pessoa calada e sem amigos, ao mesmo tempo em que seus ex-colegas de escola recordaram que ele era vítima de bullying e era desdenhado pelas meninas do grupo."Sinceramente, não sei por que ele fez isso", declarou Bruno Linhares, de 23 anos, ex-colega de turma.
O coronel Evandro Bezerra, relações públicas do Corpo de Bombeiros, disse que Wellington cometeu um ato premeditado. "Ele veio à escola preparado para fazer isso", declarou. Uma carta com uma mensagem incoerente, cheia de palavras religiosas e que a polícia encontrou entre suas roupas, parece confirmar isso.
A polícia está investigando a origem das armas utilizadas pelo atirador, que conseguiu carregá-las diversas vezes antes de ser baleado por um policial e se suicidar.
As imagens de Wellington com a cabeça e as costas ensanguentadas, caído na escada da escola, ocupam grande espaço nos sites brasileiros, enquanto que os canais de televisão entrevistam incessantemente especialistas que tentam explicar a motivação do ataque.