Identificação dos corpos é feita por fotos, diz secretário

O secretário de Saúde do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cortes, informou que já foram identificadas quatro das vítimas fatais do massacre na Escola Municipal Tasso da Silveira. O processo está sendo feito por fotos, e não pela visualização direta dos corpos pelos familiares. "Vamos dar total apoio para as famílias. Aquelas vítimas que não passarem pelo processo de identificação aqui no hospital, nós encaminharemos para o IML. Os parentes que vierem aqui terão o compromisso da secretaria de levá-los ao IML." Segundo o secretário, 15 médicos e equipes de enfermagem foram chamados para reforçar o atendimento aos feridos.

De acordo com ele, uma criança foi transferida para o hospital Adão Pereira Nunes e outra para o Alberto Torres. Ambas precisavam de cirurgia, mas não correm risco. A medida foi tomada, segundo ele, porque é preciso "pensar também nos outros pacientes deste hospital, pois o restante do atendimento não pode ser paralisado. Quatro dos feridos estão em estado gravíssimo", informou o secretário.

Também presente no Hospital Albert Schweitzer, o vereador Carlinhos Mecânico (PPS), vice-presidente da Comissão da Criança e do Adolescente da Câmara, e o colega João Mendes (PRB) estão orientando os familiares que buscam informações. "Temos que acreditar nos parentes das vítimas. Muitos saíram de casa sem documentos, somente pensando no bem de seus familiares. Vim aqui pedir a não exigência de documentação para que as pessoas tenham acesso à identificação, acesso a fotos", afirmou Carlinhos.

Protesto O líder comunitário Joel Machado, 31 anos, do instituto Jovem Rio da Zona Oeste protesta pela falta de ronda nas escolas. "Guarda Municipal não tem só que aplicar multa, tem também que ficar do lado da população. A ronda escolar da Guarda Municipal deveria ser fundamental na nossa região. Sei que neste momento devemos olhar as vítimas, respeitá-las, mas também exigir o que é de direito. Precisamos da ronda escolar. Uma arma não letal poderia ter impedido o acesso deste terrorista", disse.

Atentado

Um homem matou pelo menos 11 crianças a tiros após invadir uma sala de aula da Escola Municipal Tasso da Silveira, no Realengo, zona oeste do Rio, na manhã desta quinta-feira. Wellington Menezes de Oliveira, 24 anos, era ex-aluno da escola e se suicidou logo após o atentado, que ainda feriu 18 crianças. Testemunhas relataram que o homem portava mais de uma arma.

Wellington entrou na instituição como palestrante, e as razões para o ataque ainda não são conhecidas. O comandante do 14º BPM, coronel Djalma Beltrame, afirmou que o atirador deixou uma carta de "teor fundamentalista", com frases desconexas e incompreensíveis e menções ao islamismo e a práticas terroristas. Os feridos foram levados para hospitais da região. O Hospital Albert Schweitzer recebeu a maior parte das vítimas.