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Israel e Brasil

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        O Brasil tem uma história na sua política externa procurando ser  coerente com os ensinamentos do Barão do Rio Branco. E mais o compromisso com a formação do povo brasileiro, que nos deu esta sociedade multirracial, abrigando diferentes credos, apesar da forte influência do cristianismo.

        Nessa composição, o sangue de origem israelita tem um componente expressivo. Os que descendem de portugueses e espanhóis, por exemplo, na maioria dos casos é de “cristãos novos”, judeus que fugiam da Inquisição. Dom Pedro II, nosso brasileiro maior, chegou a tratar, em Paris, pessoalmente, com os barões Hirsch e Rothchild, ambos judeus, do acolhimento entre nós de judeus perseguidos na Europa. Estes foram, na sua maioria, para o Rio Grande do Sul, onde a comunidade israelita se destaca no mundo empresarial, com famílias que vêm contribuindo, e muito, para o desenvolvimento econômico e cultural do Brasil. Os nomes são conhecidos nacionalmente, como os Iochpe, Maissonave, Teruzkim, Steinbruch, Russowiski, Sirotsky, que vieram na primeira leva, no início do período republicano. Antes, em 1630, chegaram com os holandeses os judeus que acabaram por criar a primeira sinagoga da América do Sul, no Recife.

        Mais ou menos na mesma época, chegava ao Norte do Brasil – Amazonas e Pará – uma leva de judeus do norte da África, especialmente do Marrocos, parte dos quais se transferiu para o Rio de Janeiro. Com a ascensão do nazismo, vieram milhares, sendo que, mesmo com dificuldades, muitos durante o conflito.

        Desde os anos 50, passamos a ter entre nossos grandes empresários brasileiros, natos ou não, de sangue semita. Klabin, Segall, Bloch, Civita, Rabinovitch, Tabacow, Feffer, Lafer, Safra, Sabbá, fortíssimas presença no melhor de nossa medicina, no mundo artístico e cultural.

        Logo, nos agride na carne qualquer posição do Brasil hostil ao Estado de Israel, que sobrevive bravamente ao terrorismo radical, às ameaças de ataques nucleares, ao bloqueio de suas iniciativas. O Estado de Israel foi criado em memorável solenidade na ONU, presidida por Oswaldo Aranha. A grande comunidade sírio-libanesa no Brasil possui parte de origem semita e o restante nas melhores relações nesta terra de conciliação e convívio, como tão bem estudou e definiu Gilberto Freyre. Não adianta esta política de dividir, através de cotas raciais e reservas indígenas que ameaçam a soberania nacional, pregando sutilmente a luta de classes. Aqui, todos convivem com harmonia, sem restrições a opções religiosas, de orientação sexual, origens raciais.

        Essa cobertura ao radicalismo muçulmano choca a sociedade, constrange nossos diplomatas. Nega uma tradição de bom-senso e serviços prestados à paz. É bom lembrar que o presidente JK, ao ser questionado sobre o voto do Brasil em relação à política ultramarina portuguesa, respondeu que nunca votaríamos contra Portugal. Infelizmente, Jânio Quadros não pensava assim e nos criou uma mancha nas relações bilaterais. Agora, seria o caso de se observar que o Brasil não pode votar contra Israel, e que apoia o Estado palestino, caso venha a surgir do entendimento; nunca da imposição.

        No mais, agravar a crise no Oriente Médio é fazer crescer os riscos de uma guerra nuclear grave naquela região, de consequências incontroláveis para a humanidade. Na marra, não vão afundar Israel. É claro que, como das vezes anteriores, a reação virá rápida, eficiente e vitoriosa.

Aristóteles Drummond é jornalista