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Morar bem é uma tendência

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          Os últimos anos foram marcados pelo aquecimento do mercado imobiliário no Brasil e pelas diversificações para a aquisição dos imóveis pela população. Alguns optaram pela compra de apartamentos e casas financiados por programas do governo federal, e há aqueles que optaram pelos imóveis mais amplos e investiram economias para alcançar mais conforto. Segundo dados do Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi), foram comercializadas em São Paulo, no mês de dezembro, 4.960 unidades.

        De qualquer forma, o que se tornou primordial para os brasileiros foi a aquisição de um espaço para a moradia. Se nas grandes cidades, como, por exemplo, São Paulo, ocorreu o aumento no número de imóveis vendidos, em outras cidades, do interior, passaram por uma modificação na paisagem. O mesmo estudo do Secovi aponta que só em São José do Rio Preto o crescimento foi superior a 4.000% nos lançamentos residenciais. Em março de 2008 foram 80 e em maio de 2010 chegamos a 3.298.

         Além destes lançamentos, algumas cidades do interior como Pindamonhangaba, Taubaté, Itu, Sorocaba, Indaiatuba e Piracicaba, dentre outras, contam também com a presença de empreendimentos de médio e alto padrão, os loteamentos de luxo. Muitos estão instalados próximos ou em grandes áreas verdes, respeitando aspectos legais, e são equipados com quadras poliesportivas e tênis, piscinas, portarias com segurança e monitoramento 24 horas, rede wireless, heliponto e lagos para pescas. Há alguns munidos com fiação subterrânea, que, apesar do alto custo, com o passar dos anos será mais utilizada como um diferencial mercadológico e vantagem para os consumidores destes empreendimentos.

        O que leva ao surgimento destes imóveis? Consideramos em um primeiro momento a incontestável qualidade de vida trazida às pessoas, pois conseguirão morar próximo a áreas verdes e divertir-se em um mesmo ambiente. Além disso, dependendo da cidade escolhida, terão a facilidade de morar a poucos quilômetros de São Paulo, o que permite a vinda à cidade para estudar, trabalhar, divertir-se ou fazer compras.

         Tal fato ocorreu, pois as grandes cidades já estão saturadas e não possuem espaços adequados para a construção desses empreendimentos. A realidade é que, há alguns anos, o sonho de muitos era estar nas grandes capitais para  estabelecer-se financeiramente. Hoje as pessoas ainda pensam da mesma forma, desejam o mesmo, somado com a qualidade de vida, pois tal aspecto interfere diretamente na saúde física e mental. Compromete até os anos de trabalho que esta pessoa terá pela frente. Por outro lado, o grande avanço das telecomunicações, notadamente a internet, possibilita hoje que inúmeras tarefas e trabalhos sejam realizados em qualquer lugar, e não apenas em locais próximos fisicamente.

         Imagine a seguinte situação de um executivo: enfrentar grandes congestionamentos no deslocamento para o trabalho e, ainda assim, morando sem espaço adequado e sem tempo para exercícios físicos e em locais que podem representar insegurança para ele e a família. Em poucos anos o estresse irá tomar conta dele e da família, pois em muitos casos as crianças também não têm espaços adequados e seguros para as brincadeiras, prática de esportes ou convívio com outras.

         Além disso, morar nestes empreendimentos passa às pessoas a necessidade de manutenção mais efetiva do espaço público, pois em qualquer ação, que pode ser considerada errada, várias outras pessoas são afetadas. É a relação causa e efeito.

        Os aspectos positivos não estão direcionados apenas aos moradores dos condomínios. Há outra parcela que se beneficia com os empreendimentos de médio e alto padrão, são os donos de áreas, de terras desocupadas ou de sítios que já não são mais ocupados ou utilizados. Agora, podem realizar parcerias com as construtoras, e estes donos passam a ter uma participação imediata nos lucros da venda de cada loteamento. O que antes eram espaços sem uso e passíveis de invasões e perdas de dinheiro tornam-se fontes de renda neste cenário.

        Podemos ver mudanças para o uso das terras do interior. Estas tendências sociais, econômicas — e por que não culturais? —  levam para outro aspecto, o de que ainda é possível que o homem viva em harmonia com a natureza, usufruindo dos seus benefícios, sem afetá-la. O desejável não é, por exemplo, tirar um lago do lugar e sim, pelo contrário, criar outros e realizar a manutenção efetiva dos mesmos.

        É tendência, sim, que as moradias nos próximos anos se tornem locais adequados para socializar as pessoas, melhorar a relação com o ambiente, gerar rendas e, principalmente, manter ou alcançar a qualidade de vida.

Alexandre Cardoso é formado em administração e diretor-executivo da Apoena Imóveis. 

Durval Paulo é engenheiro civil e diretor da Carmel – Marketing e Investimentos. As duas empresas juntas são responsáveis pela construção de dez empreendimentos de alto padrão.