Sem a menor intenção de fazer graça com coisa séria, acho perfeitamente coerente e com o seu molho de esperteza a composição da comissão instalada na Câmara dos Deputados para cuidar de assuntos sérios e graves como o sonhado financiamento público das campanhas eleitorais. Abriga entre os especialistas na matéria, entre outros nomes ilustres, os dos deputados Paulo Maluf (PP-SP), que por um desses caprichos do azar está na lista dos procurados no site da Interpol e foi enquadrado na Lei da Ficha Limpa no ano passado.
Deste grupo de escol da pior Câmara dos Deputados de todos os tempos também fazem parte, com orgulho, o mensaleiro Valdemar Costa Neto (PR-SP), Eduardo Azeredo (PSDB-MG), também condecorado como réu no mensalão mineiro, José Guimarães (PT-CE), que se distingue pela prisão em flagrante de um assessor com U$ 100 mil na cueca, provavelmente com bolsos e outros esconderijos e o notório ex-governador de Minas Newton Cardoso.
Para facilitar as coisas e aliviar os aflitos, o presidente da comissão coube como homenagem ao deputado Almeida Lima (PMDB-SE), por um desses golpes de sorte, da tropa de choque do senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Ora, a Comissão Especial da Reforma Política da Câmara dos Deputados está demonstrando que a experiência pode ser superada pela sagacidade dos que sabem atravessar córrego sem molhar os pés nem os sapatos.
A montagem da Comissão Especial da Reforma Política da Câmara não assusta ao mais inquieto suspeito. É carimbada pela garantia dos companheiros de antigas tramoias, enterradas no esquecimento. Como o do discreto deputado José Guimarães (PT-CE) que driblou o processo de cassação de mandato quando treinava como deputado estadual, sob a acusação jamais provada ou desmentida do uso de recursos, dinheiro vivo, da Assembleia Legislativa do Ceará. Alega perseguição política: afinal, quem se preocupa com a mixaria do sumiço de verbas da Assembleia Legislativa do Ceará, no máximo um escândalo municipal que não vai além da capital, Fortaleza?
O ilustre representante do Ceará não é réu em processo e foi absolvido pela implacável Assembleia Legislativa do Ceará. Mas não é preciso morrer o homem para ficar a fama. O deputado José Guimarães tem seu nome na crônica parlamentar pela singularidade do hábito do seu assessor Adalberto Vieira, de guardar dinheiro na cueca. E também na mala, das sobras dos R$ 440 mil que não cabiam nos bolsos da cueca.
A modesta e desconhecida deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF) deve a sua fama ao seu ilustre pai, o ex-governador Joaquim Roriz, que passou pelo aborrecimento de ter a sua candidatura cassada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com base na Lei da Ficha Limpa, que vem sujando muitas reputações. O recurso será julgado pela comissão presidida pelo deputado Almeida Lima (PMDB-SE), que já foi senador, um destacado membro da tropa de choque do então presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
Mas nada a justificar insônia. O relator será o deputado Henrique Fontana (PT-RS), que mandou o seu recado, um buquê de ameaças e tranquilizantes: “Eu não convivo com ladrões aqui, na Câmara. Eu não considero Maluf ladrão! A Justiça não o considerou, e o Legislativo não tem nada a ver com isso. O problema é do Judiciário. O Legislativo não tem nada com isso. O problema é do Judiciário.
Nada parece afetar o bom humor da presidente Dilma Rousseff, em plena lua de mel com sua eleição e com o começo do mandato. O que, afinal, é uma boa mensagem para uma população tão castigada pela natureza, como é o caso da Nova Friburgo, onde tenho casa há mais de 60 anos e aonde não vou há mais de um ano, com a série de doenças e acidentes em familia.
Como sempre me pedem notícias do Marcos, um breve resumo. Visito o meu filho todos os dias no São Vicente de Paulo. Nos dois últimos dias, os médicos confirmam sinais animadores. Ele está mexendo com os braços e pernas, abre os olhos, o rosto está quase normal. Os que o visitam todos os dias, parentes e amigos, confiam na sua recuperação.
* * Repórter político do JB