“As famílias estão, cada vez mais, reduzindo o número de filhos em decorrência da falta de perspectiva e oportunidades de trabalho”, dizem as manchetes europeias. Com uma redução dramática, é de se perguntar pelo lado inverso: será que não se criam mais empregos porque não há mais gente para trabalhar ou mesmo consumir? O consumo exagerado do homem "gafanhoto" faz com que toda a economia cresça, como é o caso de diversos países asiáticos.
A nível planetário, a reprodução de alimentos para atender o número de gafanhotos humanos está chegando ao seu limite. Não que a terra não tenha espaço para mais gente. O problema está na velocidade de crescimento. A partir daqui o ser humano estará comendo seu próprio estoque (capital) de geração dos recursos naturais para seu dia a dia. Em outros termos, a natureza não tem tempo suficiente de se recuperar ou reciclar para as necessidades das próximas seis horas que a fome deve chegar a todos nós. Nesta perspectiva, é sombrio o horizonte demográfico malthusiano que nos aguarda.
Diversos países europeus, com seu elevado conhecimento, estão levando ao exagero esta perspectiva de reduzir dramaticamente sua geração. No curto prazo estão cometendo o suicídio demográfico. Mais de 50% das famílias italianas atuais, como exemplo, não têm filhos, e, entre as que têm, quase a metade tem somente um e o restante, dois. Somente 5,1% das famílias têm três ou mais filhos. Parece que se procura haver uma compensação por conta de outros países que não estão nem aí para o problema demográfico, como é o caso da maioria dos países africanos, e muitos países asiáticos, tudo por questões culturais e mesmo religiosas. Neste contexto estão fora a China e o Japão.
A redução europeia se refere a problemas de emprego e a insegurança profissional, redução que ocorre também no Brasil. Os dados do IBGE revelam: a taxa de fecundidade. que era de 6,2 filhos por mulher na década de 50, reduziu-se para 1,94 filho em 2009, abaixo do nível 2,1 necessários para reposição das gerações. Com estes números, estaremos em situação dos países europeus, implorando que os jovens tenham famílias mais numerosas, com subsídios previdenciários generosos.
Infelizmente, nossos jovens entraram nesta onda da redução drástica, quando o problema é diferente, é estrutural, em um país que oferece oportunidades e um imenso território a ser ocupado. O recente Censo de 2010 deverá confirmar esta triste e nova realidade. Se não houver uma mudança de atitude, em breve os “gafanhotos” de outras regiões da terra e de espécies diferentes virão para cá ocupar nosso espaço e comerem o verde de nossa bandeira.
*Economista e professor